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‘Série Abrigo’: empresário curou a depressão com novos amigos

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 07 de junho de 2015 - 14:03

>> Antônio Marques, 71 anos, recuperou autoestima na instituição

Foto: Alex Ramos

Por Marcela Freitas

“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé”. O clássico “Samba da minha terra”, de Dorival Caymmi, define bem o sentimento guardado no coração do carioca Antônio Marques, o “Toninho da Portela, de 71 anos, que há quatro anos mora no Abrigo Cristo Redentor, em São Gonçalo, com outros 174 residentes. Ele é o terceiro personagem da série de O SÃO GONÇALO, que está dividindo com os leitores a cada domingo incríveis histórias de idosos que vivem no local.

Segundo ele, no Abrigo encontrou a paz para recuperar a autoestima e curar a depressão por conta de desilusões na vida.

“Quando cheguei aqui ainda estava muito debilitado e me recusava a acreditar que estava em outra situação. Mas, aos poucos, fui vendo como era bom estar entre essas pessoas. Em determinada ocasião, cheguei a pedir desculpas a todos os funcionários e residentes por estar sendo tão resistente a eles. Essa foi a melhor coisa que me permiti fazer”, contou “Toninho da Portela” que adquiriu o apelido nos tempos em que frequentava o famoso bloco Cacique de Ramos e conviveu com famosos, como Arlindo Cruz, Almir Guineto, Beth Carvalho, entre outros.

O motivo da tristeza foram duas basicamente. Toninho era dono de uma grande transportadora, mas acabou tendo que vender boa parte dos seus bens por conta de dívidas. Uma desilusão amorosa no mesmo período também fez com que ele não encarasse bem os desafios que vieram com as perdas financeiras.

Ainda segundo Antônio Marques, durante o tempo que teve muito dinheiro, sua casa vivia cheia de gente, mas foi na instituição de São Gonçalo que ele conheceu a verdadeira amizade, sem interesse. Hernandes Alves do Carmo, 64, é, segundo ele, o melhor amigo conquistado no Abrigo.

“Esse é o melhor amigo que eu poderia ter na vida. É um presente desfrutar de sua amizade”, definiu Antônio.
Pai de duas filhas e avô de três netos, Toninho só desconversa quando o assunto é sua fama de “Dom Juan”, apelido que recebeu na instituição.

“É uma brincadeira me chamarem assim. Já fui um homem bonito, hoje sou apenas cheiroso”, brincou o residente.

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