CVV realiza campanha de conscientização a prevenção do suicídio

'Setembro Amarelo' traz ações com eventos e palestras sobre o tema

Enviado Direto da Redação

Foto: Divulgação


Por Daniela Scaffo


O suicídio é um grave problema de saúde pública que está em terceiro lugar no Brasil como causa de mortes de jovens entre 15 e 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito, conforme dados da OMS. Com o objetivo de conscientizar a população no mês intitulado de "Setembro Amarelo", o Centro de Valorização à Vida (CVV) de São Gonçalo tem realizado eventos, palestras e demais ações voltadas para prevenção do suicídio.


De acordo com um dos integrantes do CVV-SG, João Alexandre Souza, todos os dias, pelo menos 32 brasileiros tiram a própria vida, resultado da falta de ações preventivas que poderia ter poupado pelo menos 28 dessas pessoas. Esses dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS) causam espanto, mas retratam uma dura realidade.


"O tema ganha bastante visibilidade em função do Setembro Amarelo, que é uma campanha de conscientização com objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo. A informação e a comunicação que remeta a prevenção são primordiais para diminuição dos casos de suicídio", disse.


Em números totais, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de um milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.


João Alexandre ainda acrescentou que metade das pessoas que morreram vítimas do suicídio não tiveram contato com o médico psiquiatra. Para ele, falar é importante, porém buscar apoio junto aos profissionais da área da saúde mental é fundamental.


"Combater o estigma é salvar vidas. Esse é o grande desafio, assim como promover ações que viabilizem a implementação de políticas públicas assertivas no combate aos crescentes casos de suicídio", finalizou João Alexandre.



Campanha em São Gonçalo - A Câmara Municipal de São Gonçalo realizou uma campanha na última terça-feira (3), com voluntários do Centro de Valorização da Vida, em frente ao "Palácio 22 de Setembro", abordando a população e informando sobre o trabalho do grupo. Além de uma palestra sobre: "Prevenção do suicídio e valorização da vida".


A diretora do Centro Cultural George Savalla Gomes - Palhaço Carequinha, Lúcia Rodrigues, falou sobre o trabalho do grupo em frente a Câmara. "Na abordagem conseguimos conversar com as pessoas e sentir que elas precisam de ajuda, de apoio. Ouvi o relato de um jovem que  já tentou tirar a própria vida, e esse trabalho dos voluntários é muito importante para evitar a morte, tem muita gente pedindo socorro e não vemos", disse a diretora.


De acordo com o palestrante, o voluntário do CVV-SG, José Roberto, o grupo tinha o anseio de ter ações em um órgão público, como a Câmara  para tratar deste assunto. E, para ele "Falar sempre é a melhor opção", para quem quer acabar com a dor que sente. 


"Agradeço a recepção de todos nesta Casa Legislativa, o cuidado com o tema, a decoração, a iluminação especial em um prédio público, era tudo que nós sempre vislumbramos. O nosso trabalho é voluntário e acreditamos que o nosso atendimento pode salvar vidas. Porque muitas vezes a pessoa quer acabar com o sofrimento sentido naquele momento e não acabar com a própria vida. Por isso, o atendimento 24h, por telefone, chat e e-mail", explicou.


Para o presidente  Diney Marins, o suicídio é mais um tema no qual devemos dar mais atenção. 


"Conheci um pouco do trabalho de vocês hoje, e acredito que esse é o caminho para ajudar muitas pessoas que estão com depressão, crise de ansiedade e outros problemas emocionais. Como disse uma voluntária, 'se salvarmos uma vida já conseguimos o nosso objetivo", relatou o presidente.



LGBTs têm três vezes mais chance de tentar o suicídio - O suicídio entre jovens LGBTs quase quadruplicou nos últimos quatro anos e a juventude LGBT apresenta três vezes mais chance de atentar contra a própria vida do que os demais jovens, segundo os pesquisadores da revista norte-americana JAMA Pediatrics.


“O que explica esta maior incidência é o cotidiano de falta de aceitação, discriminação e violência em locais de convivência e conflitos familiares”, afirma Ernane Alexandre, o superintendente de Políticas LGBT da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SedsoDH). “Eles provocam uma série de problemas de saúde mental na população LGBT. Por isso, temos que conscientizar e buscar a colaboração de diferentes setores da sociedade, de forma integrada”, defende.

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