Filha tenta transferência da mãe idosa para hospital especializado
Francisca Neufrisa, 66, foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin clássico

Por Daniela Scaffo
Mesmo com o diagnóstico de linfoma de Hodgkin clássico, a aposentada Francisca Neufrisa Souza Rodrigues, de 66 anos, não recebe o tratamento adequado. Segundo a família, a idosa está internada há mais de duas semanas no Pronto Socorro de São Gonçalo, sem conseguir transferência para um hospital especializado no caso.
A filha de Francisca, a cabeleireira Valéria de Souza Rodrigues, 44, contou que a luta pelo diagnóstico adequado começou há quase um ano. A mulher apresentava nódulos no pescoço, o que fez com que a família buscasse por respostas.
"Começamos a investigar, passamos por diversos médicos, tanto em postos de saúde municipais quanto em particulares, de diferentes especialidades, e um deles nos informou que ela estava com as glândulas inflamadas por causa de um vírus que havia contraído. Seis meses depois, em dezembro, fizemos novos exames e as taxas constataram que minha mãe estava com anemia. O médico mudou a alimentação dela, mas era uma anemia constante, que só estava piorando", contou Valéria.
A cabeleireira informou que continuou a busca por novos médicos e realizando novos exames, mas nada era constatado. Até que, em julho deste ano, Valéria e Francisca foram a um neurocirurgião que constatou que os nódulos estavam crescendo por causa de um linfoma.
"Através de um exame, pedido por um hematologista do PAM de Alcântara, foi constatado que ela estava com um linfoma. Foi preciso realizar mais um exame, um imuno-histoquimico, pois o primeiro não era conclusivo. Foi aí que foi constatado o linfoma hodgkin clássico, no início de agosto. Levamos o exame no dia 7 para o hematologista, que pediu para que eu a levasse em um hospital rapidamente", informou a cabeleireira.
No dia 7 desse mês, Francisca deu entrada na unidade de saúde municipal, de onde até hoje não conseguiu a transferência. Sem o tratamento adequado, ela está se debilitando.
Por isso, no último dia 16, a família decidiu entrar com uma decisão judicial para conseguir a transferência da aposentada para uma unidade de saúde com especialistas no caso. No documento, a juíza de plantão reitera que a responsabilidade é, além do município de São Gonçalo, também do Estado.
"Até agora não recebemos nenhuma resposta da liminar. Estamos correndo para todos os lados, pois fazendo o tratamento adequado, a doença tem cura, mas sem isso, ela só vai piorando. É uma vida, um ser humano, que precisa de atenção. A gente só precisa que alguém nos dê alguma resposta", finalizou Valéria.
A Direção do Pronto Socorro informou que Francisca foi regulada desde que entrou na unidade e que desde então aguarda a liberação da vaga no Hospital Universitário Antônio Pedro. A consulta com o especialista está agendada para o dia 16 de setembro e a paciente será informada em breve.
Já a Secretaria Estadual de Saúde ainda não encaminhou resposta sobre o caso.