Ex-empresário larga tudo para viver viajando pelo mundo
Para sobreviver, aventureiro dá aulas de ioga além de aceitar doações
Por Rennan Rebello
"Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são. (...) A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos", estes versos do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), refletem a realidade do espanhol Carlos Jesus García, de 47 anos, oriundo da cidade de Málaga, que largou seu negócio na Espanha para viver viajando pelo mundo. A reportagem de O SÃO GONÇALO, o encontrou no Centro de Niterói, descansando em sua 'casa portátil' sobre rodas que estava estacionada próxima ao shopping Bay Market, após passar por Rio de Janeiro, Magé, Itaboraí e São Gonçalo.
"Eu tinha empresa que fabricava jogos para crianças mas larguei este negócio em nome de minha liberdade e há 11 anos comecei a viajar com uma bicicleta e depois fiz uma 'casinha' para carregar pelos lugares onde passei a conhecer. Até o momento já conheci 67 países", disse Carlos que mantém o perfil: 'Jesushumanidad Bendiciones' atualizado no Facebook, onde registra seus paradeiros.
Na pequena casa, o aventureiro construiu um pequeno espaço onde pode se locomover e repousar em uma estrutura que está presa em uma bicicleta (na viagem ao Chile, foi utilizada uma motocicleta). Mas quando precisa trocar de país e é impossibilitado de levar a 'casinha' que é enfeitada com fotos de suas aventuras e dizeres como "'Deseo de todo corazón que mi amor te acompañe siempre' ("Desejo de todo coração que meu amor te acompanhe sempre", em português) e do meio de transporte que carregue a estrutura, Carlos se desfaz para empreender em próxima parada. "Geralmente eu presenteio alguém e tem vezes que até consigo vender. Com o que consigo em um novo lugar, construo uma nova 'casinha' para seguir a viagem", revelou andarilho que no dia seguinte pegou a estrada rumo a São Paulo.
Para conseguir meios financeiros, o aventureiro trabalha em espaços públicos e também conta com a boa vontade dos moradores locais. "Consigo gerar renda dando aula de ioga na rua e também sobrevivo por doações das pessoas que conheço pelo caminho. É sempre um grande aprendizado", contou Carlos que não esposa e nem filhos, apenas irmãos em sua 'terra natal'.
Sobre a possibilidade de voltar a viver em seu país, o viajante é bem claro na resposta. "Não pretendo voltar nunca mais para a Espanha, quero seguir viajando", finalizou.