Patrimônios históricos estão 'largados' em São Gonçalo

Reportagem procurou a Prefeitura, que não mostrou planos para conservação

Enviado Direto da Redação


Por Rennan Rebello


Para compreendermos o hoje e projetarmos o amanhã, é necessário o conhecimento da história de maneira que possamos ter ciência de quem somos e em quais contextos estamos inseridos. Mas o poder público gonçalense tem preferido deixar diversas passagens históricas da cidade caírem ‘no esquecimento’. A reportagem de O SÃO GONÇALO elegeu quatro monumentos para relatar suas condições e cobrar da Prefeitura Municipal de São Gonçalo (PMSG), um posicionamento.


O primeiro ponto que a equipe visitou foi o obelisco enferrujado da Praça Luiz Palmier, no Centro, que ainda causa dúvidas sobre seu significado.


“Moro em São Gonçalo, mas não faço ideia do que isso (obelisco) significa, pois não há identificação”, disse o porteiro Marcelo Andrade, 35, que é criado na cidade.


Segundo a gestão da época, da então prefeita Aparecida Panisset, este obelisco simboliza os bondes.


“A Praça Luiz Palmier, conhecida como Praça do Rodo, em São Gonçalo, o ‘coração’ da cidade, já está com um novo visual. O projeto da Secretaria Estadual de Obras é resgatar a memória dos bondes, com uma grande coluna de aço (...) onde serão afixados os painéis que resgatarão a história dos tradicionais bondes, que faziam o ponto final na região”, este trecho da nota foi publicada no blog Território Gonçalense, em 2010.


Além de não ter uma placa explicativa sobre o obelisco, também não há uma identificação referente do nome da praça, que vem sendo chamada de ‘Praça da Marisa’, por conta de uma loja de artigos femininos que funciona na localidade. Apesar de ter sido questionada com várias perguntas sobre a situação, a PMSG apenas respondeu genericamente sobre o significado do obelisco.


O segundo monumento não identificado fica no Porto da Pedra, na rotatória próxima ao São Gonçalo Shopping, no Boa Vista. A construção, em formato de chaminés, simboliza o período industrial de São Gonçalo, entre os anos 30 a 50, que chegou a ser conhecida como ‘Manchester fluminense’, em alusão à cidade inglesa que foi uma referência entre os municípios industriais. Questionada sobre o problema, a PMSG não respondeu.


O terceiro ponto na incursão histórica foi a extinta estação de trem do Porto da Madama que fazia parte do trecho da Estrada de Ferro Leopoldina (1874–1975). Embora hajam peças originais; a antiga sede dos trens encontra-se abandonada. Questionada, a PMSG limitou-se em responder que: “Em relação à antiga estação de trem, não existe projeto cultural, já que a área é do Governo do Estado e é apontada como parte do trajeto de projetos de mobilidade urbana na cidade, como BRS, BRT e VLT”.



A última visita foi realizada na Praça dos Ex-Combatentes, no Patronato, que reúne artigos originais que estiveram da 2ª Guerra Mundial (1939- 1945) e que relembra o passado dos ex-combatentes gonçalenses que atuaram na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Apesar do valor histórico, estes artigos estão depredados e pichados. Questionada sobre a situação, a PMSG não respondeu.



Para o professor de História da FFP/UERJ, campus São Gonçalo, Rui Aniceto, é obrigação do Poder Público zelar pelo patrimônio.


“As pessoas só darão valor se perceberem sentido no que dizem que tem que ser conservado. Os patrimônios servem para que a cidade possa se refletir e usar com ações culturais. Isto é uma obrigação do Poder Público, que deve ter políticas de educação patrimonial”, finalizou Aniceto, que também coordena um Memorial em prol da história gonçalense dentro da Igreja Matriz.


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