Pai do bebê que morreu na Cidade de Deus reclama da omissão de socorro dos PMs
Policiais teriam dificultado a saída do pai com o filho

Os pais do pequeno Benjamin, que tinha apenas um mês de vida e morreu após supostamente ter sido atingido por bala perdida na Cidade de Deus - o que foi negado posteriormente - reclamaram da omissão de socorro dos policiais militares envolvidos na operação que acontecia na comunidade no momento em que a família tentou levar o bebê ao médico.
Segundo o motorista Ruan Ribeiro, pai do bebê, os policiais demoraram mais de 10 minutos para retirar o caveirão da frente de seu carro, atrasando o socorro da criança.
"A gente acordou com uma intensa troca de tiros, estava acontecendo uma operação. Devido ao tiroteio, eu peguei meus dois filhos, a minha esposa, e fui para o quarto de trás. Ao acender a luz, minha esposa percebeu que o meu filho estava cheio de sangue, na boca, pescoço, nas costas. Comecei a gritar por socorro e, imediatamente, desci as escadas e entrei no carro. O caveirão estava na frente do meu carro, eu pedia para eles saírem, mas eles não permitiram eu sair. Fiquei cerca de dez a quinze minutos parado, eu gritava por socorro, mas os policiais só puxaram o caveirão para frente depois que as pessoas começaram a sair de casa por me ouvirem gritar. Cheguei com meu filho na UPA já quase às 7h, ele ensanguentado, levei ele até a sala vermelha e, logo depois, a doutora me deu a notícia que nenhum pai quer receber, de que meu filho veio a óbito", disse.
Ruan contou ainda que os PMs perceberam o motivo pelo qual ele estava desesperado tentando sair de casa, mas mesmo assim foi ignorado por um longo tempo.
"O que mais me chateou nesse momento, foi a omissão de socorro dos policiais, porque eles viram o meu desespero, eles viram eu chorando com meu filho nos meus braços e gritando por socorro, mas nada eles fizeram por mim. Eles estavam dentro do caveirão, e nem saíram, não falaram nada comigo, não tiravam o blindado do lugar", desabafou.
Após ver o filho ensanguentado, os pais de Benjamin acreditavam que o menino havia sido atingido por uma bala perdida, o que foi negado pelo hospital. Mesmo assim, Ruan aguarda o resultado dos exames já que a criança não teria motivos aparentes para estar sangrando.
"Meu filho não caiu, não bateu com a cabeça, eu só quero o laudo da perícia porque eu mereço saber o que houve com o meu filho. A gente realmente não tem nenhuma prova que a nossa casa foi perfurada, se meu filho foi atingido por alguma bala, a gente não sabe de nada disso. Quando eu peguei meu filho, eu só queria socorrê-lo, nem fiquei pensando no que poderia ter sido, só depois que eu fui começar a querer saber a causa da morte dele".
Até o momento, ainda não foi divulgado oficialmente o resultado dos exames para saber qual a causa da morte.
De acordo com a 32ª DP (Taquara) o caso foi registrado e os parentes foram ouvidos. A delegacia aguarda o resultado do exame de necrópsia. As investigações estão em andamento.