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Prefeitura de São Gonçalo fecha quatro CRAS na cidade

Cerca de 20 mil pessoas foram afetadas

relogio min de leitura | Redação 01 de agosto de 2019 - 08:49
Prefeitura de São Gonçalo resolveu fechar quatro Centros de Referência de Assistência Social, deixando aproximadamente 20 mil usuários
Prefeitura de São Gonçalo resolveu fechar quatro Centros de Referência de Assistência Social, deixando aproximadamente 20 mil usuários -

Por Daniela Scaffo

Pelo menos quatro Centros de Referência de Assistência Social (Cras) foram fechados em São Gonçalo, na última semana. Com isso, cerca de 20 mil pessoas da cidade com mais de 1 milhão de habitantes foram diretamente afetadas.

Administrados pela secretaria de Desenvolvimento Social, Habitação e Infância e Adolescência, o Cras tem como objetivo desenvolver políticas públicas de assistência social, abrangendo ações que buscam a inclusão, a promoção social e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. O Cras oferta o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif) e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), funcionando como “porta de entrada” para os serviços prestados pela secretaria, realizando encaminhamentos para a rede, atividades coletivas e comunitárias e proteção básica em áreas de maior risco social.

No Cras, os cidadãos também são orientados sobre os benefícios assistenciais e podem ser inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. A população que antes era assistida no Cras Campo Novo, agora precisará se deslocar até a unidade de Tribobó para receber os atendimentos. Em alguns casos, será necessário pegar até dois transportes públicos para chegar até o Centro de Referência.

“Eu, assim como toda a minha família, sou cadastrada no Bolsa Família. Como moramos no Novo México, o atendimento é realizado pelo Cras Campo Novo. Agora teremos que pegar dois transportes públicos para chegarmos até Tribobó e isso nos prejudica muito, porque não temos condições de arcar com esse número de passagens”, informou a dona de casa Nilza Domingos, de 54 anos. No Cras Campo Novo, também eram ofertadas oficinas de artesanato, para cerca de 30 mulheres, e de memória, para aproximadamente 40 idosos. A operadora de caixa Maria Auri Lima, 46, participava de uma dessas oficinas com a mãe, a aposentada Antônia Lima, 73, e a filha, a estudante Manuela Lima, 22. Agora, as três gerações terão que deixar as tarefas que realizavam no Centro de Referência.

“Moramos em Campo Novo e fazíamos a oficina de artesanato há cinco anos. Minha mãe estava há dois na de memória. Apenas na última sexta-feira que os funcionários foram informados que a unidade deixaria de funcionar. Todos os idosos ficaram muito abalados. Agora não teremos como continuar as oficinas, pois fica muito custoso para a gente”, explicou Maria Auri, que aprendeu a fazer artesanato para complementar renda.

A filha de Maria, Manuela ainda acrescentou que mesmo quando as oficinas funcionavam no Cras, o local não recebia os materiais para a manutenção das atividades.

“Antigamente, recebíamos lanches e depois cortaram. Até aí, a gente entende. Mas depois, a prefeitura cortou até mesmo os materiais necessários para as oficinas, como feltro, MDF, entre outros. Por mais de um ano, ficamos sem água e com o ar condicionado sem funcionar”, explicou.

Uma outra pessoa, que preferiu não se identificar, explicou que a prefeitura alega que o fechamento dessas unidades é por conta do corte da verba do Governo Federal para a assistência social. Porém, segundo informações, foi indicado pela equipe do Cras um outro local para atendimento da população assistida pela unidade de Campo Novo em um Ciep da região, gratuitamente, e o órgão não respondeu a solicitação.

“Tribobó já tem um quantitativo enorme de pessoas atendidas e é impraticável levar mais gente para lá. Só aqui em Campo Novo, tem mais de cinco mil referenciados. A maior parte dos idosos que eram assistidos aqui tem problemas de saúde e não vão conseguir se deslocar até Tribobó”, informou.

Já a população assistida pelo Cras Amendoeira, será dividida entre dois diferentes Centros de Referência. Os moradores de Lagoinha e Pacheco, deverão se dirigir até o Cras Santa Izabel. Os demais serão realocados no Cras Alcântara.

A unidade, que funcionava na Estrada do Pacheco, 30, realizava cerca de 400 atendimentos por mês, que serão distribuídos nessas novas unidades.

Quem buscava atendimento no Cras Marambaia também era surpreendido por um aviso logo na entrada do local. Na faixa, a explicação: “A partir do dia 1-8-19, estaremos no Cras Vista Alegre, Rua São Pedro, 02, telefone: 2706-3607. Nós mudamos”. Entretanto, muitos ainda chegavam no local e encontravam os portões fechados. “Eles mudaram o local de atendimento e não avisaram a população. Agora ficamos desassistidos no nosso próprio bairro. É uma falta de respeito com a gente”, disse um morador, que preferiu não se identificar. Além de parte dos atendimentos do Cras Amendoeira, O Cras Alcântara também irá receber todos os assistidos pelo Cras Trindade.

A costureira Claudia Viana, 48, possui uma filha de 7 anos e antes recebia o atendimento na unidade da Trindade, mas agora terá que se deslocar até o outro bairro. “A população desse bairro irá ficar desassistida. A gente está triste pelo fechamento desse Cras, pois muita gente vinha para cá. Aqui tem ginástica para idosos e Jiu Jitsu para vários alunos. Essa alternativa deixou muita gente sem nada”, declarou.

A Prefeitura respondeu que “o motivo do fechamento dos espaços dos Centros de Referência da Assistência Social dos bairros da Trindade, Marambaia, Amendoeira e Maria Paula, foi devido a atual conjuntura financeira que se encontra o país e aos cortes nos repasses financeiros do orçamento federal e estadual, tendo o município que arcar com as despesas dos custos e manutenção dos desses equipamentos somente com verbas municipais”.

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