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Africano do Benin reencontra o amor em São Gonçalo

relogio min de leitura | Redação 30 de maio de 2015 - 21:45

Fandohan Nicolas tem 68 anos e está no Abrigo Cristo Redentor há quatro

Foto: Alex Ramos

Por: Marcela Freitas

Um viajante em buscas de sorrisos e amores. Assim pode ser definido o africano, do Benim, Fandohan Amoussou Nicolas, de 68 anos, residente há quatro anos no Abrigo do Cristo Redentor, na Estrela do Norte, cuja trajetória O SÃO GONÇALO conta agora dentro da série de histórias de abrigados iniciada no domingo passado. Sem parentes no Brasil, ele chegou à instituição para se recuperar de um acidente vascular cerebral sofrido quando trabalhava em um hotel em Teresópolis, Região Serrana.

A história de Fandohan se assemelha a de muitos imigrantes que deixaram seus países de origem em busca de um mundo novo mas, como qualquer viajante, as surpresas e as desilusões vieram por toda parte. No entanto, além de cuidados médicos e acolhimento, o estrangeiro reencontrou o amor. Sua estadia no local é mantida com recursos repassados pela Prefeitura de São Gonçalo.

“Estava em uma ginástica no Centro Cultural Joaquim de Lavoura (em frente ao abrigo) e me pediram para falar ao microfone. Falei em francês, e ela me abordou porque também falava a língua. Passamos a conversar e estamos namorando. Todo fim de semana vou para a casa dela. Quando dá, saímos para jantar e namorar. Estamos felizes”, contou se referindo à namorada Ana, uma professora de 60 anos.

Sobre o abrigo Fandohan é só elogios. “Não vejo os meus parentes desde 1994, ainda tenho quatro irmãos vivos. Mas apesar da falta que sinto deles, tenho aqui pessoas maravilhosas. Tenho amigos e atendimento médico 24 horas. Sem contar que a comida é maravilhosa. Eu que sempre ajudei a hospedar pessoas, hoje sou o hóspede de um hotel cinco estrelas”, brincou.

Trajetória - Fandohan chegou ao Brasil há 40 anos, quando veio junto com um diplomata africano para atuar em Brasília como maitre. Ele conheceu o patrão na França, no restaurante em que ele trabalhava em Paris. Antes deste encontro, o africano já havia trabalhado na Suíça, onde fez estágio em hotelaria.

O contrato com o diplomata durou quatro anos, mas após dispensa da comitiva, resolveu voltar para África. Entretanto o “coração” do maitre havia ficado no Brasil. Ele se apaixonou por uma brasileira, de Mato Grosso, que também morava em Brasília.
Três meses se passaram, e o casal passou a se corresponder por cartas. Muito apaixonado, ele resolveu voltar ao Brasil para visitá-la. A mulher não deixou que ele voltasse a seu país e foi então que resolveu ficar. Em 1982, os dois se casaram. Mas como em Brasília tinham poucos hotéis à época, o maitre resolveu vir para o Rio de Janeiro.

Um ano depois, aparentemente feliz com a união, Fandohan foi pego de surpresa ao chegar do trabalho. Ele encontrou sua casa aberta e sem nenhum móvel. Ao indagar a uma vizinha o que havia acontecido, ela disse ter visto a esposa dele ir embora levando tudo. O africano então passou a buscar notícias da esposa e, quando descobriu, teve nova desilusão. Ela disse que não o amava mais e não queria viver mais com ele.

Após um período de intensa tristeza, Fandohan conheceu a segunda esposa. O casamento também não durou muito, mas terminou sem problemas.Focado no trabalho, Fandohan atuou nos melhores hotéis do Rio e aproveitava o tempo livre para ler livros sobre a história do Brasil e torcer para o Vasco da Gama, que virou seu time de coração.

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