Restrição dos Correios causa peregrinação de moradores atrás de correspondências

Encomendas estão sendo encaminhadas para um local separado

Enviado Direto da Redação


Por Daniel Magalhães e Cyntia Fonseca


Sem poder receber suas correspondências em casa, a doméstica de 52 anos, Ivonete Silva, é um exemplo de como os moradores de alguns bairros de São Gonçalo pelos serviços dos Correios, que estão classificando algumas regiões como área de risco.


Mesmo residindo no bairro Coelho, ela está sem receber suas correspondências, já que seu endereço (CEP) faz referência ao bairro vizinho, Jóquei, que sofre restrições dos Correios para entregas e, por essa razão, ela precisa ir a agência buscar suas contas.


Na manhã de ontem, O SÃO GONÇALO foi testemunha da ‘via crucis’ enfrentada pela gonçalense. Ao sair de casa às 9h30 em direção à agência dos Correios no Colubandê, Ivonete chegou ao local cerca de 30 minutos depois, e lá foi informada que contas e faturas não são entregues no local, e para isso ela teria que se deslocar para a agência em Tribobó.


Ela, então, resolveu seguir as orientações e foi para o local. Acompanhada pela equipe de OSG, a doméstica chegou ao posto por volta das 10h30, e mesmo assim não teve sucesso.


No posto, Ivonete foi informada que não poderia pegar suas correspondências, pois o atendimento ao público só começaria às 13h.


“Parece brincadeira. Me fazem gastar dinheiro de passagem indo de um lado para outro da cidade e mesmo assim não posso nem pegar minhas contas”, disse Ivonete, indignada.


A doméstica ainda conta outros problemas que tem passado por não ter as contas entregues em casa.


“Eu tentei imprimir algumas contas, mas para isso eu teria que ir à lan house e pagar R$ 5 para poder realizar o cadastro e depois gastar mais dinheiro para imprimir as contas. Eu estou tendo que pagar por uma coisa que eu deveria receber em casa”, completou Ivonete.


Além de Ivonete, outros moradores de bairros de São Gonçalo estão passando pelo mesmo problema. Segundo eles, os Correios não estão entregando em certas áreas da cidade por estas serem consideradas ‘áreas de risco’. A medida adotada pelos Correios teria sido implementada visando a segurança de seus funcionários.


Por meio de assessoria de imprensa, os Correios responderam que “as Áreas de Restrição de Entrega de Encomendas (AREs) são estabelecidas com base em levantamentos realizados pela área de segurança dos Correios, tendo como referência o mapa de risco fornecido pelos órgãos de segurança pública e pela incidência de assaltos a veículos de carga dos Correios.


Essa condição temporária de entrega de encomendas tem o objetivo de garantir a segurança dos trabalhadores e dos clientes, e a integridade das encomendas postais.


Durante o período de restrição de entrega de encomendas em determinada localidade, a entrega de correspondências (cartas, boletos bancários, faturas, telegramas, etc.) continua sendo feita, pois esses objetos de pequeno valor comercial não são alvos de assaltos. Porém, em algumas regiões, os carteiros não conseguem entrar para realizar entregas de correspondências por motivo de violência e/ou operações policiais. Nesses casos as correspondências, assim como as encomendas são encaminhadas a uma agência dos Correios para serem retiradas pelos clientes.


É possível verificar se um endereço está nessa condição em www2.correios.com.br/sistemas/precosPrazos/restricaoentrega/”.


Já a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social informou que “irá realizar ação, em conjunto com outros setores, para verificar a real situação das famílias que possivelmente estão voltando a ocupar o local para, a partir daí, realizar o atendimento socioassistencial necessário a estas pessoas e tomar as providências necessárias”.

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