Hoje, 2 de julho, é comemorado nacionalmente o Dia dos Bombeiros Militares

“Vida alheia e riquezas salvar” é o lema da corporação

Escrito por Redação 09/07/2019 17:16, atualizado em 02/07/2019 11:08
Para atender a população, existem três destacamentos na região, sendo eles: Itaborái, Rio Bonito e Colubandê
Para atender a população, existem três destacamentos na região, sendo eles: Itaborái, Rio Bonito e Colubandê . Foto: Kiko Charret


Por Myllena Vianna*


"Vida alheia e riquezas salvar", o lema da corporação dos bombeiros diz muito sobre a missão que esses profissionais se propõem todos os dias a realizar.


Nesta terça-feira (2), é comemorado nacionalmente o dia do bombeiro. Ontem (1º), o novo comandante, tenente-coronel Marcus Guastini, do 20º Grupamento Bombeiro Militar (GBM), localizado em São Miguel, São Gonçalo, recebeu a equipe de O SÃO GONÇALO para um diálogo sobre a rotina da unidade, o Dia do Bombeiro e a comemoração dos 163 anos da corporação.


Para atender a demanda da população, existem três destacamentos na região: Itaboraí, Rio Bonito e Colubandê, todos comandados por Guastini. Sobre o trabalho que a corporação mais realiza, o comandante afirma que as ações de salvamento são as ocorrências que estão em maior número.


 

“Em termos estatísticos, o salvamento de pessoas é o tipo de ocorrência líder de ranking nos atendimentos realizados pelo 20º GBM e seus destacamentos. Colisão de veículos, principalmente envolvendo motos, também é bastante frequente. Outros acionamentos bastante comuns são corte de árvores, recolhimento de animais e incêndios em edificações, veículos e vegetação”, afirmou. 

 

Nessa época do ano, entre os meses de julho e setembro, com o clima mais seco e quente, ocorrem muitos casos de incêndio nas vegetações da região.Geralmente, nestas épocas, é estabelecida uma escala extra para atendimento às demandas de fogo em vegetação.


“O objetivo é deixar uma equipe de seis militares de reserva. Se uma equipe principal estiver mais gente de reforço em algum local, nós temos seis de sobreaviso todos os dias”, disse. 


Há dois meses a frente do grupamento, o mesmo tempo em que comanda a tropa local, Guastini vem fazendo o reconhecimento da área de atuação com a ajuda dos militares da unidade que, em sua maioria, são moradores da região.


“Eu tenho uma facilidade aqui que é o fato de os militares, em sua maioria absoluta, serem moradores da região, o que ajuda porque eles acabam tratando o quartel como se fosse uma segunda casa.  Várias ocorrências são acionadas pelos próprios militares que estão na rua, em momento de lazer”, contou. 



A solenidade oficial em comemoração ao Dia do Bombeiro e ao aniversário da instituição é realizada, geralmente, no Grupamento Operacional do Comando Geral (GOCG), mais conhecido como Quartel Central, no Centro do Rio de Janeiro. 



Na ocasião, acontecem demonstrações profissionais, apresentação da Banda Sinfônica da corporação e a entrega do espadim aos novos cadetes da Academia de Bombeiro Militar Dom Pedro II. 



Nesta mesma época do ano, durante uma semana, as unidades operacionais do CBMERJ, incluindo o quartel de São Gonçalo,  realizam a Semana de Prevenção em comemoração à data. O objetivo é disseminar ao público externo conhecimentos básicos sobre incêndios - riscos e prevenção - e orientações para casos de emergência. São atividades como palestras e aulas práticas, por exemplo. Também são realizadas instruções externas, como em escolas e em shoppings.



Dia-a-dia da corporação


Guastini explica ainda sobre o dia-a-dia de um bombeiro militar, que costuma ser bastante corrido, com as atividades da corporação começando às 8h. E a prontidão nos quartéis operacionais nunca é interrompida, seja em fins de semana, feriados ou datas festivas


“Normalmente, as equipes que entram em serviço assumem efetivamente às 8h da manhã. Então, temos de 6h40 até 7h45, o momento da prática de exercícios físicos e depois inicia a escala de 24h. Atualmente, estamos com escala de 24 horas de trabalho e 72h de descanso”, esclareu. 


Entre as dificuldades enfrentadas pelos militares, de acordo com Guastini, está o atendimento nas áreas consideradas de risco. 


“O Corpo de Bombeiros classifica as áreas de risco como áreas de conflitos previsíveis, aquelas que sabemos que o conflito está acontecendo, e áreas de conflitos imprevisíveis, quando há probabilidade de ocorrer um conflito. Trata-se de uma análise subjetiva, que deve levar em conta, entre outros fatores, o dia, o local e a hora da ocorrência", explica o comandante. 



Em caso de ocorrências registradas nessas áreas, o objetivo da corporação é garantir que o atendimento seja prestado, sem descuidar do zelo pela integridade física dos militares. Com isso, a equipe de socorro da corporação que não se sentir segura em ingressar em determinada área para qualquer tipo de atendimento pode acionar apoio policial. Em alguns casos, os bombeiros podem recomendar que quem solicitou o chamado leve a vítima até um ponto de segurança para que o atendimento seja realizado.



A ideia principal de Guastini é desenvolver um projeto para minimizar esses riscos. O objetivo é fazer um mapeamento mais sensível, pois atualmente o mapeamento que existe atualmente é extraoficial da área e para isso está em contato com o comandante Coronel Martins, do 7° BPM, para um trabalho em conjunto. 



“Em determinadas regiões o nosso modo de operação vai mudar. Até a última quinta-feira consegui efetivar pelo menos a parte de acionamento para ambulância, que chegava do Centro do Rio, sem possibilidade de uma confirmação de endereço. Durante o trajeto, o médico poderia fazer através do celular particular dele algum contato para levantar novas informações, mas já estava em deslocamento para o local", acrescentou. 



Ainda, segundo Guastini, sempre que se faz necessário, a corporação atualiza os procedimentos de atuação para as diferentes áreas, sempre em busca do melhor atendimento à população, da redução do tempo-resposta e da segurança dos militares.



O comandante finaliza contando o quão especial é ser bombeiro e salvar vidas. 



"Faz parte da nossa profissão essa coisa de querer ajudar. É nato, quando entramos na corporação dificilmente alguém não vai ter esse ímpeto de, com velocidade, chegar ao local e ajudar as pessoas”, concluiu, acrescentando que também tem como objetivo aproximar a população da corporação, oferecendo palestras sobre primeiro socorros e formas de prevenção de incêndios. 



Além disso, ele também estuda como abrir o espaço para visitação de crianças, trazendo a ideia do Museu dos Bombeiros, localizado no Centro do Rio, onde visitas são agendadas para estudantes conhecerem a estrutura e saberem mais como funciona a rotina de um bombeiro.



História da corporação



Até a fusão dos antigos Estados da Guanabara e Rio de Janeiro, o serviço de extinção de incêndios na área metropolitana era realizado pelo 1º Batalhão de Bombeiros da Polícia Militar, sediado no centro de Niterói contendo pelotões instalados em locais estratégicos. Em 1973 o Batalhão de Bombeiros da Polícia Militar instalou um desses pelotões em nosso município, São Gonçalo. Essa instalação era denominada como 1º Pelotão de Bombeiros e ocupara a área onde funciona atualmente o 7º BPM (Batalhão de Polícia Militar). Mais tarde tornou-se o 6º Pelotão de Bombeiros. Em 1975, a nomenclatura mudou novamente, passando a Destacamento 15 - São Gonçalo.



Em 1º de janeiro de 1976 o então Destacamento 15 teve suas instalações físicas transferidas para o atual endereço (Avenida São Miguel, nº 44). O Decreto que permitiu a formalização desse novo Quartel foi o Decreto-Lei nº 145 de 26 de junho de 1976, passando então a ser denominado: 3º Subgrupamento de Incêndio. Em 07 de maio de 1993, através do Boletim do Comando Geral nº 81, o 3º Subgrupamento de Incêndio passou a ser denominado: 1º Subgrupamento de Incêndio do 3º Grupamento.



Em fevereiro de 1995 assumiu a nomenclatura de: 1º Subgrupamento de Bombeiro Militardo 3º Grupamento de Bombeiro Militar (1ºSGBM/3ºGBM). Finalmente em 15 de maio de 2003 recebeu a denominação atual de: 20º Grupamento de Bombeiro Militar.


Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas e Cyntia Fonseca*

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