Registros de feminicídio na Baixada aumentaram nos últimos dois anos
Em 2018, foram registrados 12 casos de feminicídio na região, o dobro de 2017

O número de registros de feminicídio na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense aumentou nos últimos dois anos. A informação foi divulgada pelo delegado da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, Moysés Santana, nesta quarta-feira (08), durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que investiga os casos de feminicídio no Estado do Rio. Segundo Moysés, em 2018 foram registrados 12 casos de feminicídio na região, o dobro de 2017.
Dos 13 casos registrados em todo o estado no último ano, apenas um não ocorreu na Baixada Fluminense. Para Moysés a estatística reflete o alto índice de violência na região. “Os números têm aumentado e temos que olhar para essa questão com muito cuidado, principalmente na Baixada Fluminense, onde a desigualdade social é ainda maior. Só este ano, até abril, já registramos cinco casos de feminicídio na Baixada”, justificou o delegado.
Moysés também frisou que o número de casos pode ser ainda maior do que o divulgado. “Estamos realizando uma varredura nos registros de ocorrência para verificar se ainda há algum que não foi enquadrado como feminicídio e deveria ser discriminado dessa forma. Temos que orientar os policiais para que a pesquisa reflita exatamente a realidade. Os dados são importantes para que possamos entender quem são essas mulheres”, afirmou.
O delegado anunciou durante a reunião que no próximo dia 15 será inaugurado um núcleo de Combate ao Feminicídio dentro da Delegacia de Homicídios da Baixada. O objetivo será capacitar policiais para atuar na prevenção de crimes contra mulheres. “Depois que a vítima morre não temos muito o que fazer, apenas prender o responsável. Aquela vida não se recupera, por isso é tão importante esse trabalho de prevenção”, declarou.