Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0748 | Euro R$ 5,8452
Search

Dia de São Jorge leva milhares de devotos às ruas de SG e Niterói

Sincretismo é explicação da popularidade do santo

relogio min de leitura | Redação 24 de abril de 2019 - 08:43
Capela São Jorge, no bairro Lindo Parque, em São Gonçalo, reuniu centenas de fiéis ao longo do dia
Capela São Jorge, no bairro Lindo Parque, em São Gonçalo, reuniu centenas de fiéis ao longo do dia -

Por Daniela Scaffo

Comemorado ontem (23), o Dia de São Jorge levou milhares de fiéis às ruas para celebrarem a memória litúrgica do santo guerreiro. As comemorações contaram com missas, terços, procissão, shows e quermesses. São Jorge tem grande devoção popular em todo o Brasil e é considerado o padroeiro da Cavalaria do Exército Brasileiro, dos escoteiros e da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, além de diversos países, como Inglaterra e Portugal.

Durante o dia inteiro, a Capela São Jorge, no Lindo Parque, em São Gonçalo, recebia os festejos, que foram iniciados pela tradicional alvorada, seguida de missa. De acordo com o padre Robson Magalhães, a igreja recebe cerca de cinco mil pessoas no dia do padroeiro.

“Temos quatro missas e vêm muitos devotos fazer suas preces e trazer seus objetos. Fazemos a programação das celebrações na parte da manhã, depois temos almoço, procissão e termina com missa solene, por volta das 19h”, disse Robson, que assumiu a igreja a pouco mais de um ano. Quem aproveitou o dia para fazer as preces foi a técnica de enfermagem Heloisa Helena do Nascimento Souza, 53, que foi a capela no Lindo Parque acompanhada do seu marido, o motorista Jorge Luiz Rodrigues, 53, e a mãe, a dona de casa Antonieta Maria Vidal do Nascimento, 75. “Alcançamos bênçãos, graças e somos muito agradecidos a São Jorge por tudo, principalmente por dar saúde para a nossa família. Todo ano a gente vem na missa de São Jorge aqui nessa Capela, mas somos de outra igreja”, contou a técnica de enfermagem. O prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci, também participou da missa na capela durante o dia. Ele contou que há mais de 20 anos acompanha as celebrações na igreja do Lindo Parque.

“Sou devoto de São Jorge também e de São Judas Tadeu. Como a igreja é perto da minha casa, conheço a comunidade há muito tempo. Trabalhei aqui como médico e vi a igreja crescer. Hoje a rua é calçada e tem um galpão bom para realizar a missa, o que nos traz imensa felicidade. Apenas hoje, temos quase 30 eventos na cidade de São Gonçalo para celebração do Dia de São Jorge”, declarou.

Fé e devoção que ultrapassam gerações

O administrador de empresas Sebastian dos Santos, 40, também acompanhou a mãe, a professora Maria Sueli da Silva, 69, até a capela que recebe o nome do santo que são devotos.

“A gente vem nessa capela desde que soubemos da existência dela, há cerca de 10 anos. A nossa família inteira é devota de São Jorge e de São Sebastião, que deu origem ao meu nome, e sempre queremos agradecê-los por toda a graça”, disse Sebastian, que mora no Mutondo.

Em Niterói, igreja fica lotada e missa é celebrada na rua

Na Capela São Jorge que fica no Centro de Niterói, o espaço também ficou pequeno para receber a quantidade de pessoas e a missa precisou ser celebrada na rua. O diácono Murilo Teixeira disse que não conseguiu contabilizar o número de fiéis que visitaram a igreja apenas na parte da manhã, mas que foi uma surpresa a quantidade de pessoas.

“Celebramos seis missas durante o dia inteiro, além da procissão no final da tarde. É uma grande bênção de Deus estarmos reunidos em Cisto ressuscitado com a bênção de São Jorge”, finalizou.

Origem do sincretismo explica popularidade do santo guerreiro

O sincretismo religioso de figuras santas e divindades entre crenças é muito comum e, como esperado, poderosos orixás também possuem equivalentes em outras religiões, como é o caso de Ogum e São Jorge Guerreiro. A associação de ambos ocorre dentro da Igreja Católica.

Na realidade, não somente Ogum, mas todos os 16 Orixás presentes na umbanda e no candomblé possuem seus equivalentes dentro do cristianismo, em um sincretismo desenvolvido ainda no período colonial Brasileiro e intimamente ligado à escravatura.

Na cultura africana, Ogum é conhecido por sua força e sua maneira impetuosa perante a injustiça; lembrado por ser o portador do ferro e do fogo, representa uma força e sede insaciável por batalhas, as quais sempre obtém vitórias. Na história, o orixá guerreou incessantemente contra reinos vizinhos, saqueando e devastando muitos outros. São Jorge, por sua vez, detém a mesma reputação de grande guerreiro e defensor dos justos, tendo dado nome a diversas cidades e até mesmo a exércitos.

Origem do sincretismo explica popularidade do santo guerreiro

O sincretismo religioso de figuras santas e divindades entre crenças é muito comum e, como esperado, poderosos orixás também possuem equivalentes em outras religiões, como é o caso de Ogum e São Jorge Guerreiro. A associação de ambos ocorre dentro da Igreja Católica.

Na realidade, não somente Ogum, mas todos os 16 Orixás presentes na umbanda e no candomblé possuem seus equivalentes dentro do cristianismo, em um sincretismo desenvolvido ainda no período colonial Brasileiro e intimamente ligado à escravatura.

Na cultura africana, Ogum é conhecido por sua força e sua maneira impetuosa perante a injustiça; lembrado por ser o portador do ferro e do fogo, representa uma força e sede insaciável por batalhas, as quais sempre obtém vitórias. Na história, o orixá guerreou incessantemente contra reinos vizinhos, saqueando e devastando muitos outros. São Jorge, por sua vez, detém a mesma reputação de grande guerreiro e defensor dos justos, tendo dado nome a diversas cidades e até mesmo a exércitos.

Matérias Relacionadas