Dia de São Jorge leva milhares de devotos às ruas de SG e Niterói
Sincretismo é explicação da popularidade do santo

Por Daniela Scaffo
Comemorado ontem (23), o Dia de São Jorge levou milhares de fiéis às ruas para celebrarem a memória litúrgica do santo guerreiro. As comemorações contaram com missas, terços, procissão, shows e quermesses. São Jorge tem grande devoção popular em todo o Brasil e é considerado o padroeiro da Cavalaria do Exército Brasileiro, dos escoteiros e da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, além de diversos países, como Inglaterra e Portugal.
Durante o dia inteiro, a Capela São Jorge, no Lindo Parque, em São Gonçalo, recebia os festejos, que foram iniciados pela tradicional alvorada, seguida de missa. De acordo com o padre Robson Magalhães, a igreja recebe cerca de cinco mil pessoas no dia do padroeiro.
“Temos quatro missas e vêm muitos devotos fazer suas preces e trazer seus objetos. Fazemos a programação das celebrações na parte da manhã, depois temos almoço, procissão e termina com missa solene, por volta das 19h”, disse Robson, que assumiu a igreja a pouco mais de um ano. Quem aproveitou o dia para fazer as preces foi a técnica de enfermagem Heloisa Helena do Nascimento Souza, 53, que foi a capela no Lindo Parque acompanhada do seu marido, o motorista Jorge Luiz Rodrigues, 53, e a mãe, a dona de casa Antonieta Maria Vidal do Nascimento, 75. “Alcançamos bênçãos, graças e somos muito agradecidos a São Jorge por tudo, principalmente por dar saúde para a nossa família. Todo ano a gente vem na missa de São Jorge aqui nessa Capela, mas somos de outra igreja”, contou a técnica de enfermagem. O prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci, também participou da missa na capela durante o dia. Ele contou que há mais de 20 anos acompanha as celebrações na igreja do Lindo Parque.
“Sou devoto de São Jorge também e de São Judas Tadeu. Como a igreja é perto da minha casa, conheço a comunidade há muito tempo. Trabalhei aqui como médico e vi a igreja crescer. Hoje a rua é calçada e tem um galpão bom para realizar a missa, o que nos traz imensa felicidade. Apenas hoje, temos quase 30 eventos na cidade de São Gonçalo para celebração do Dia de São Jorge”, declarou.
Fé e devoção que ultrapassam gerações
O administrador de empresas Sebastian dos Santos, 40, também acompanhou a mãe, a professora Maria Sueli da Silva, 69, até a capela que recebe o nome do santo que são devotos.
“A gente vem nessa capela desde que soubemos da existência dela, há cerca de 10 anos. A nossa família inteira é devota de São Jorge e de São Sebastião, que deu origem ao meu nome, e sempre queremos agradecê-los por toda a graça”, disse Sebastian, que mora no Mutondo.
Em Niterói, igreja fica lotada e missa é celebrada na rua
Na Capela São Jorge que fica no Centro de Niterói, o espaço também ficou pequeno para receber a quantidade de pessoas e a missa precisou ser celebrada na rua. O diácono Murilo Teixeira disse que não conseguiu contabilizar o número de fiéis que visitaram a igreja apenas na parte da manhã, mas que foi uma surpresa a quantidade de pessoas.
“Celebramos seis missas durante o dia inteiro, além da procissão no final da tarde. É uma grande bênção de Deus estarmos reunidos em Cisto ressuscitado com a bênção de São Jorge”, finalizou.
Origem do sincretismo explica popularidade do santo guerreiro
O sincretismo religioso de figuras santas e divindades entre crenças é muito comum e, como esperado, poderosos orixás também possuem equivalentes em outras religiões, como é o caso de Ogum e São Jorge Guerreiro. A associação de ambos ocorre dentro da Igreja Católica.
Na realidade, não somente Ogum, mas todos os 16 Orixás presentes na umbanda e no candomblé possuem seus equivalentes dentro do cristianismo, em um sincretismo desenvolvido ainda no período colonial Brasileiro e intimamente ligado à escravatura.
Na cultura africana, Ogum é conhecido por sua força e sua maneira impetuosa perante a injustiça; lembrado por ser o portador do ferro e do fogo, representa uma força e sede insaciável por batalhas, as quais sempre obtém vitórias. Na história, o orixá guerreou incessantemente contra reinos vizinhos, saqueando e devastando muitos outros. São Jorge, por sua vez, detém a mesma reputação de grande guerreiro e defensor dos justos, tendo dado nome a diversas cidades e até mesmo a exércitos.
Origem do sincretismo explica popularidade do santo guerreiro
O sincretismo religioso de figuras santas e divindades entre crenças é muito comum e, como esperado, poderosos orixás também possuem equivalentes em outras religiões, como é o caso de Ogum e São Jorge Guerreiro. A associação de ambos ocorre dentro da Igreja Católica.
Na realidade, não somente Ogum, mas todos os 16 Orixás presentes na umbanda e no candomblé possuem seus equivalentes dentro do cristianismo, em um sincretismo desenvolvido ainda no período colonial Brasileiro e intimamente ligado à escravatura.
Na cultura africana, Ogum é conhecido por sua força e sua maneira impetuosa perante a injustiça; lembrado por ser o portador do ferro e do fogo, representa uma força e sede insaciável por batalhas, as quais sempre obtém vitórias. Na história, o orixá guerreou incessantemente contra reinos vizinhos, saqueando e devastando muitos outros. São Jorge, por sua vez, detém a mesma reputação de grande guerreiro e defensor dos justos, tendo dado nome a diversas cidades e até mesmo a exércitos.