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Moradores do Jardim Catarina tentam voltar a rotina após forte chuva

Vários postos arrecadação foram montados na cidade

relogio min de leitura | Redação 12 de abril de 2019 - 08:13
 Postos estão recebendo doações de alimentos não perecíveis
Postos estão recebendo doações de alimentos não perecíveis -

Por Alan Emiliano e Kiko Charret

“O que eu desejo para meus filhos e netos é que não tenham que passar por isso. Que construam uma família estabilizada e não precisem sair de casa após um temporal”, profetiza o cadeirante Luiz Silva, de 52 anos, que busca recomeçar a vida, após perder todos os móveis nas chuvas que atingiram o Jardim Catarina nos últimos dias.

Morador há 30 anos da Rua Expedicionário Geraldo Martins Santana, antiga Rua 51, na comunidade da Ipuca, ele relatou a O SÃO GONÇALO os momentos de tensão que viveu entre a noite de segunda-feira (8) e a manhã de terça-feira (9), quando uma tempestade ‘desabou’ sobre a região. “Se não fossem os meus vizinhos eu não sei o que seria de mim e do meu filho, que mora junto comigo aqui na minha ‘casinha’. Tenho dificuldade de locomoção, devido a diabetes, e o meu filho estava tentando salvar o máximo de coisas. Já havia passado por isso há nove anos e agora aconteceu novamente. Nada muda, ninguém faz nada por nós. É um sentimento gigante de impotência diante de tudo isso”, afirmou. Pai de três filhos e avô de quatro netos, Luiz procurava consolar três das netas, enquanto conversava com a reportagem, na manhã de ontem. Angustiado, ele lamentava não ter conseguido que as crianças tivessem se alimentado alimento de forma adequada durante eses dias de chuvas. De acordo com uma das crianças, elas vinham comendo biscoitos, recebidos de doação de vizinhos, que também sofreram prejuízos com o temporal.

“Eu olho para elas e vejo um futuro enorme, mas não consigo ajudar de forma mais efetiva, devido às minhas limitações. Só consigo sentir amor pelas três (o outro neto mora com o pai em outra via do bairro). Faço de tudo para ver elas com o sorriso no rosto. Me doeu bastante não ter o que dar para elas comerem nesses últimos dias. Perdi tudo. É um sentimento muito triste, muito mesmo”, afirmou.

O irmão de Luiz, o auxiliar de serviços gerais Maurício Souza, contou que o gonçalense deu entrada na aposentadoria por invalidez há seis meses, mas não teve retorno do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Meu irmão deu entrada na agência do Porto Velho em outubro do ano passado, mas até agora não conseguiu retorno. Após essas chuvas, será difícil encontrar o processo, mas vasculharemos tudo atrás desse documento. Após essa tempestade, meu irmão vai precisar mais do que nunca desse benefício para conseguir reestruturar sua vida”, disse. Quem quiser ajudar Luiz e sua família com doações de roupas, alimentos e móveis, pode entrar em contato através do telefone (21) 97440-5464.

Hora de contabilizar os prejuízos

Nos últimos dias, a rotina dos moradores do Jardim Catarina mudou, após as chuvas que atingiram o município. Na manhã de ontem, muitos deles começaram a voltar para suas casas e avaliar os danos acusados pelo temporal.

Na Rua 57, no chamado Catarina Velho, uma moradora que teve a casa invadida pela água, utilizava baldes para tentar “esvaziar” a residência.

“A água entrou aqui em casa, como em todas as vezes que chove. É um sentimento de impotência! Eu rezo todos os dias pra não chover, porque choveu, alagou”, contou a dona de casa Daniela Maria, de 42 anos.

Quem também contabilizava os danos era Fabyanno Magalhães, 41, morador da Rua Jorge Lima, que teve a casa inundada e perdeu móveis e eletrodomésticos, como geladeira e fogão.

“Minha mãe mora em cima da minha casa e ficou desesperada, pois fiz uma cirurgia no fêmur há pouco tempo e ainda tenho dificuldades para me locomover. Agora vamos buscar forças para recomeçar, não podemos ficar lamentando”, disse.

Outro ponto crítico do bairro é Avenida Beira-Rio, na comunidade do Pica-Pau, que continua com vários pontos de alagamento. O aposentado Antonio José foi até o local de bicicleta para ajudar familiares a saírem de suas casas.

“Infelizmente a região está completamente abandonada, devido a ausência dos nossos governantes. Eu, por exemplo, nunca vi o atual prefeito aparecer aqui no Pica-Pau”, reclamou o gonçalense, de 57 anos.

Saiba onde fazer doações para as vítimas

Diante dos momentos de angústia e tristeza em decorrência da perda de alimentos, roupas e móveis, a solidariedade tem tomado conta da população de São Gonçalo. O São Gonçalo Shopping e o Pátio Alcântara estão recebendo doações de alimentos não perecíveis, água potável, roupas, produtos de higiene pessoal e de limpeza para as vítimas das chuvas.

No Pátio Alcântara, as doações podem ser entregues até sábado (13), na Sala Vip Spot Clube de Vantagens, 1º piso, das 11h às 19h. As doações deverão ser entregues no SAC no horário de funcionamento do shopping até o próximo domingo (14). A iniciativa é uma parceria entre a Aliansce Shopping Centers, administradora dos estabelecimentos, e o Instituto Reação, que oferece aulas gratuitas de judô, em São Conrado, no Rio.

Um dos pontos de arrecadação de alimentos e roupas para o Jardim Catarina é a Escola Municipal Professora Aida Vieira de Souza, que também realizou o acolhimento de famílias desabrigadas, que já retornam para suas casas com a melhoria do tempo.

Quem deseja contribuir de alguma forma, pode comparecer à Escola Municipal Professora Aida Vieira de Souza, na Avenida Santa Catarina, 900.

Outro ponto de arrecadação de alimentos e roupas no bairro é a Comunidade Evangélica Luz do Mundo, localizada na Avenida Doutor Albino Imparato, s/n°. Para obter informações sobre as maiores necessidades, basta entrar em contato com os responsáveis através dos números 97299-8225 e 98482-0640.

Já para os bairros nas redondezas do Salgueiro, o ponto de encontro para as doações é a Escola Municipal Marinheiro Marcílio Dias, que fica na Estrada das Palmeiras, s/nº, em Itaúna. Para mais informações, o telefone de contato é o (21) 2614-4580.

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