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Fé e religião são temas centrais do documentário ‘Cárcere dos Deuses’

Ideia surgiu através da campanha 'Liberte Nosso Sagrado'

relogio min de leitura | Redação 07 de abril de 2019 - 09:16
Desde que se converteu ao candomblé, Gabriel sofre preconceito e quis mostrá-lo em filme
Desde que se converteu ao candomblé, Gabriel sofre preconceito e quis mostrá-lo em filme -

Por Myllena Vianna*

Uma mistura de fé e paixão pelo audiovisual. Foi assim que o jornalista niteroiense Gabriel Sorrentino, de 23 anos, começou a desenvolver o documentário ‘Cárcere dos deuses - magia ou memória em tempos de opressão’.

Desde que se converteu ao candomblé, Gabriel sofre muitos preconceitos e viu através do seu trabalho que poderia contribuir para a conscientização das pessoas.

“Quando iniciei nos cultos de matrizes africanas no Centro Espírita Estrela do Congo, em Itaboraí, vi como minha religião sofre perseguições. Inclusive, sofri muito preconceito dentro da minha família. Tudo alimentou minha vontade de expor à sociedade o que acontece com os fiéis das religiões africanas. Fés que sempre acolheram e abrigaram a quem precisava. Vendo o preconceito de perto, uni minhas duas paixões: a fé e a produção audiovisual”, disse ele.

O tema surgiu através da Campanha 'Liberte Nosso Sagrado', de 2017, idealizada pelo deputado estadual Flávio Serafini (PSOL-RJ), que busca realocar peças religiosas que encontram-se detidas no Museu da Polícia Civil, no Centro do Rio. Os objetos foram apreendidos pela corporação no início do século passado quando as religiões de matrizes-africanas ainda eram criminalizadas por três artigos do Código Penal.

“Quando recebi o convite da Comunicação da Assembleia para uma audiência pública sobre o projeto. Quando descobri a campanha, logo tive a certeza que meu projeto de produzir algo em audiovisual sobre intolerância religiosa tinha um ‘norte’. Meu objetivo foi, acima de tudo, explorar o termo ‘racismo institucional’ e entender o motivo de, ainda hoje, o próprio Estado ser acusado de intolerância. Afinal, não só existem leis que permitem o culto religioso mas que, também, criminalizam a aversão às religiões. Então, por que temos um ‘cárcere dos deuses’ africanos?”, explicou Gabriel.

O documentário começou a ser produzido em agosto do ano passado e durou até a segunda semana de novembro. Foram aproximadamente três meses e meio de filmagem, edição e sonorização.

“Desde 2014, eu recolhia dados sobre intolerância religiosa e, principalmente uma imersão na Biblioteca Nacional à procura de matérias do século XX sobre o candomblé”, afirmou. Lançado no dia 3 de dezembro do ano passado em uma exibição pública no Instituto de Arte e Comunicação da UFF (IACS - UFF), teve a presença do subsecretário de Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Enfrentamento à Intolerância Religiosa. No documentário, o jornalista entrevista 11 pessoas, dentre elas, Muniz Sodré, professor da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO-UFRJ), além de candomblecistas, historiadores e sociólogos.

Neste seu primeiro trabalho social autoral, Gabriel teve o auxílio do cinegrafista Ronaldo Gomes, e afirma que espera um mundo tolerante, em que as pessoas tenham empatia.

“Espero que as pessoas vejam a necessidade da inclusão do povo do santo nas políticas públicas. Espero que as pessoas sejam tocadas pela beleza e pureza do candomblé e entendam que intolerância religiosa é inadmissível. A intolerância ainda acontece dentro do próprio Estado. Ao assistirem o documentário, quero que elas entendam que precisamos desestruturar um racismo que está enraizado desde o Brasil-Colônia”, concluiu. 

Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca*

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