Escolas Municipais de São Gonçalo sofrem com escassez de merenda
Refeições são somente arroz e feijão

Por Marcela Freitas
Poderia até ser um teste de resistência destes vistos em programa de TV. Mas o que acontece nas escolas de São Gonçalo, está bem longe de ser um desafio semanal de um reality show. As refeições somente de arroz e feijão, condenadas por nutricionistas pelo baixo valor nutricional, são diárias.
Em alguns casos, a situação é ainda mais grave como a da Escola Municipal Florisbela Maria Nunes Hasse, no Boa Vista, que na última terça-feira (2) serviu aos estudantes apenas biscoitos e maçã. Segundo informações de pessoas ligadas à escola, há uma semana o almoço na unidade é biscoito. Por conta da escassez de alimentos, a direção de algumas unidades está liberando as crianças mais cedo. No Colégio Presidente Castello Branco, os pais reclamam que não há carne na alimentação há muito tempo. O mesmo acontece no UMEI Formando Vidas, no Mutuá, que funciona em horário integral. “Eles começaram a servir arroz, feijão, ovo e cenoura. Isso por vários dias. Depois, acabou o ovo e passaram a servir só o arroz com feijão. Nossa pergunta é para onde está indo o dinheiro da merenda?”, questionou uma mãe. Nos Colégios Alberto Torres e Ciep Paulo Roberto Macedo do Amaral (125), ambos no Colubandê e Estephânia de Carvalho, no Laranjal, os alunos estão sendo liberados antes do horário previsto. “Mandar o aluno para casa mais cedo por falta de merenda é absurdo. Eu tenho vergonha desse município”, reclamou outra mãe.
Nas redes sociais, o vereador membro da Comissão de Educação da Câmara, Jalmir Junior, divulgou um vídeo em que aparece na Escola Municipal Florisbela Maria Nunes Hasse. Na imagem é possível confirmar que no dia de sua fiscalização (2) seria servido apenas biscoito, na escola do Boa Vista.
“Me informaram que a merenda seria normalizada hoje (ontem). Amanhã (hoje) vou inspecionar essas escolas novamente para comprovar se a promessa foi cumprida”, disse o vereador.
Sindicato pede CPI da Merenda em S. Gonçalo
O Sindicato estadual dos Profissionais de Educação de São Gonçalo (Sepe), informou que está acompanhando o caso de perto e espera que seja montada o quanto antes uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar de que forma está sendo aplicado o repasse da merenda. Segundo o Sepe, foi acordado na última licitação que a empresa vencedora receberia o montante de R$ 25 milhões pela distribuição da merenda em São Gonçalo.
“Recebemos a denúncia da falta de merendas pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar). E isso nos causou indignação. Quando indagamos o governo, eles desmentem. O Sepe deixa claro que junto com o CAE, Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e a Comissão de Educação da Câmara dos Vereadores, não vai descansar um minuto pela garantia da merenda para o aluno da rede municipal de São Gonçalo”, disse Maria do Nascimento diretora do Sepe.
Ainda segundo Maria, a falta de merenda preocupa pois a prefeitura recebe a verba para essa finalidade.
“Observamos que são contratadas várias firmas e, em todas elas temos alguma pendência. O último contrato é quase de R$ 26 milhões. Apesar de sabermos do alto custo do alimento, gostaríamos de saber o por que as escolas estão sem alimentos”, esclareceu.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou, que devido a transição para uma nova empresa, que a partir de agora será responsável pela alimentação dos alunos da Rede Pública de São Gonçalo, houve uma adequação logística. O contrato foi homologado nesta segunda-feira (01), logo após, houve uma inspeção técnica composta pela Semed, Conselho de Alimentação Escolar e a Vigilância Sanitária para avaliar as condições de armazenamento dos alimentos. A Semed já está de posse do documento emitido pela Vigilância Sanitária, com aprovação do local. Durante a próxima semana ocorrerá a normalização da entrega dos alimentos. O valor apresentado no contrato se refere ao valor máximo para o ano de 2019, mas a Semed terá como orientação adquirir produtos da safra e com isso reduzir os custos da aquisição dos alimentos”.