São Gonçalo e o dia do circo: Uma cidade berço de artistas
Família de circenses do município se apresenta no Rio

Por Vitor d'Avila e Daniela Scaffo
Respeitável público, hoje é dia do circo? É, sim senhor. Nessa quarta-feira (27), é dia de prestigiar quem fornece entretenimento e encanta pessoas de todas as idades. E claro que em São Gonçalo, berço de vários artistas, também há circenses.
Entre eles, está a família composta por Normandia Xavier Luques Borges, de 53 anos; Alberto Gomes, 52; e os dois filhos do casal, Alberto Junior, 30, e Lorrana Açucena Luques Borges, 23. A história de Normandia e Alberto começou, inclusive, dentro de um circo.
“Eu conheci meu esposo na Trindade, onde moro até hoje. Fui assistir ao circo e me apaixonei por ele. Com três meses, me casei, tudo como manda o figurino. Tenho 33 anos de casada e o mesmo tempo de vida circense”, contou Normandia.
Já Alberto, praticamente cresceu dentro das tendas coloridas. Segundo Normandia, o artista, que é natural de Xapuri, um município localizado no interior do Acre, é circense desde os 7 anos, seguindo a tradição da família.
Como se fosse uma herança artística, os filhos do casal e até mesmo a nora, Silvana Souza Borges, de 34 anos, também assumiram papéis importantes dentro do circo da família, que inclusive, recebeu o nome do neto de Normandia e Alberto: Raduan Circos, que hoje está no Shopping Grande Rio, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
“Desde que meu filho era pequeno, com 12 anos, ele já trabalhava como globista. Hoje, ele faz um número chamado tranca, que é fazer malabares com os pés. A esposa dele, minha nora, é casada com ele há nove anos e hoje também trabalha no circo com a gente”, disse.
Assim como os números do espetáculo são cheios de dificuldades, a vida do casal também precisou passar por algumas contratempos até que eles inaugurassem o próprio circo, que existe há um ano.
“Hoje é até mais fácil do que antes, mas ainda é complicado devido às burocracias. Pagamos terreno, luz, bombeiro, entre outras contas, e não temos apoio de nenhum órgão. Não é apenas chegar e montar a lona, mas estamos indo devagar”, declarou a circense.
Normandia ainda contou que a família chegou a morar em um trailer e durante alguns anos, não tinham água e luz. Hoje, o casal conseguiu construir uma casa na trindade, que estão reformando aos poucos. Mas apesar de todas as dificuldades, a artista conta algumas histórias com orgulho: a sua filha, Lorrana, se formou em Engenharia Civil em 2018, após enfrentar por anos a dificuldade de as escolas não entenderem a vida ‘nômade’ da família. Seu filho terminou o ensino médio e, por opção, não fez faculdade.
“É muito difícil um circense se formar, mas Deus foi muito generoso comigo. Ela trabalha praticamente desde que nasceu e eu nunca deixei meus filhos pararem de estudar, apesar das escolas nunca terem entendido essa nossa vida nômade. Agora ela faz pós graduação na UFRJ. Meu neto tem quatro anos e estuda desde os dois, é muito inteligente”, concluiu.
‘Malabarismos da vida’: quando o picadeiro é a rua
Nem todo artista circense se apresenta debaixo das lonas. Alguns deles escolhem a rua como ‘picadeiro’. Este é o caso do malabarista Ellington Carlos, mais conhecido como Slug. Ele costuma realizar seus truques nos semáforos de Alcântara mas, de acordo com ele, sua motivação não é financeira e sim levar alegria à população.
“Sempre trabalhei na rua e não em circos. Na rua, a gente tem a proximidade com o público, tentamos arrancar um sorriso, um aplauso, a alegria de uma criança. Não é por dinheiro. Esse é o nosso maior incentivo”, disse.
Slug começou a fazer malabarismo há dez anos e desde então não parou mais. Ele treina bastante para conseguir fazer suas manobras da melhor forma possível. Embora se apresente em sinais, ele também atua em diversos eventos, o que o possibilita viver somente da ‘arte dos malabares’.
“Já faz dez anos que pratico o malabares e vivo disso hoje em dia. Não faço apenas em semáforo, faço em eventos também, como trabalhos em festas e apresentações particulares. A arte do malabares em si chegou através de amigos, que começaram a praticar”, contou.
Como nem tudo são flores, alguns acidentes de percurso acontecem. Durante uma apresentação de malabarismo com facas, Slug teve um pequeno corte e precisou enfaixar uma das mãos. Mas nada que ele já não esteja acostumado.
“Toda profissão tem seus prós e contras. Ontem me machuquei fazendo malabarismo com facas, mas nada muito grave, bola pra frente”, disse entre gargalhadas.
O trabalho de Ellington pode ser visto nas redes sociais. Basta pesquisar por ‘Slug Malabares’.