Pai luta para educar o filho com paralisia cerebral em São Gonçalo

Escola municipal não oferece professores de apoio

Enviado Direto da Redação
O auxiliar de serviços gerais vive uma luta incansável para que o filho, Lucas Cesário, possa estudar em escola

O auxiliar de serviços gerais vive uma luta incansável para que o filho, Lucas Cesário, possa estudar em escola

Foto: Luiz Nicolela

Por Samara Oliveira*

Quem pensa que a luta pela educação chegou ou está próxima de chegar ao fim, não conhece a história do auxiliar de serviços gerais Cláudio Silva dos Santos, de 37 anos, e seu filho, Lucas Cesário Rocha dos Santos, de 7.

O menino Lucas, que nasceu com encefalopatia crônica da infância com quadriplegia espástica (Paralisia cerebral caracterizada pela presença de distúrbio motor, podendo apresentar distúrbios da movimentação voluntária, do tônus muscular e hipercinesias) precisa de professor de apoio para estudar, o que não acontece desde o início do ano letivo. Enquanto o governo municipal não cumpre com essa obrigação, prevista na Lei Brasileira de Inclusão (LBI), quem faz esse papel é o próprio pai, que não só leva o filho na escola todos os dias, mas que precisa ficar lá “substituindo” esse profissional que está em falta.

“Eu tenho que ficar na escola com ele de sete da manhã às onze horas pra ele ir no banheiro, ou por outro motivo que ele precisar de mim. E por conta disso também, não tenho como trabalhar”, explicou Cláudio.

Segundo ele, a Escola Amaral Peixoto, localizada no bairro Lindo Parque, em São Gonçalo, onde o Lucas estuda, havia informado que o professor de apoio chegaria depois do Carnaval, mas isso não aconteceu e agora Cláudio não tem informação de quando isso pode se tornar realidade.

“Ano passado, meu filho ficou sem professor de apoio até abril e também precisei ficar indo pra escola com ele até isso se resolver”, lembrou.

Além da falta do profissional dentro na sala de aula, o responsável também alega que o transporte escolar da prefeitura só tem o motorista, faltando então o monitor que ficaria dentro do transporte observando e cuidando das crianças, inclusive do seu filho especial, Lucas. E mais uma vez, ele é quem precisa fazer esse papel.

Nem sempre foi tudo só com ele e nem sempre o auxiliar de serviços gerais dependia tanto dos serviços públicos para criar Lucas, já que ele era casado com a mãe de seu filho e os dois trabalhavam. Mas em 2016, a sua esposa Simone Cesário Rocha dos Santos, de 34 anos, morreu por causa de um câncer na perna e a partir disso, a luta que antes era dividida em dois parece que se multiplicou quando Cláudio teve que fazer tudo sozinho.

Como se não bastassem todas as dificuldades enfrentadas, Cláudio também está lutando na justiça há um ano contra o INSS para conseguir o benefício da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), para pessoas com deficiência. Hoje o sustento deles, vem de um processo judicial que Cláudio ganhou contra sua antiga empresa, mas ele conta que teme o futuro dele e seu filho.

“Eu não tenho amparo pra nada. Se meu filho tivesse bem inserido no ambiente escolar, eu poderia arrumar um emprego, mesmo que fosse de meio período pra poder continuar cuidando dele”, contou.

A diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Maria do Nascimento, alegou que “O órgão vem cobrando da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), não só professores de apoio especializado mas todas as carências”.

Prefeitura - Através da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de SG, a Secretaria Municipal de Educação informa que realizou processo seletivo, no final de fevereiro, para suprir a carência de profissionais nas escolas municipais. Ao todo, 100 professores de apoio foram contratados e a previsão é que esse número aumente ainda mais, de acordo com a demanda. Devido ao processo de nomeação, provimento do cargo e ambientação na escola, alguns professores ainda estão sendo efetivados em seus postos de trabalho. A expectativa é que o problema esteja solucionado nos próximos dias. Sobre a questão do transporte escolar, a secretaria informa que será observada a demanda, para a resolução do problema existente o mais rápido possível.

*Estagiária sob coordenação de Sérgio Soares

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