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Porteiro e desenhista sonha em um dia trabalhar na área da Moda

Wilson Souza descobriu o talento aos sete anos

relogio min de leitura | Redação 10 de março de 2019 - 09:30
Wilson descobriu talento para desenhar ainda na infância, aos 7 anos, mas não abandonou sonhos
Wilson descobriu talento para desenhar ainda na infância, aos 7 anos, mas não abandonou sonhos -

Por Samara Oliveira*

Quem passa todos os dias de manhã pela portaria da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), no bairro Trindade, em São Gonçalo, e recebe um bom dia atencioso do porteiro Wilson Souza Marins, de 41 anos, talvez não imagine a história e os sonhos que existem por trás daquele balcão de concreto.

Wilson começou a mostrar seu talento para desenhar aos 7 anos, mas como passava dificuldades financeiras em casa, os pais sempre preocupados, não conseguiram dar atenção e apoio para o menino. Diante do cenário que vivia em casa, Marins precisou largar os estudos, ainda na terceira série, do ensino fundamental para trabalhar, mas conta que sempre manteve vivo o sonho de desenhar e também de completar os estudos.

“Eu corri atrás por conta própria. Meus pais não ligavam muito pra isso e nem desenhavam. Isso sempre foi coisa minha mesmo. Trabalhei para poder fazer meus cursos de modelagem e fui me aperfeiçoando com o tempo”, contou.

Seu primeiro contato com a universidade em que trabalha até hoje, foi quando ele entrou num projeto de aceleração de estudos para compensar o tempo que ficou longe das salas de aula. A partir daí, Wilson começou a escrever mais um capítulo da sua história. Terminou o ensino médio, tornou-se funcionário da Universo, começando como auxiliar de serviços gerais, se matriculou no curso superior de Moda, começou a trabalhar como porteiro e formou família.

Mas em janeiro de 2016, mais uma dificuldade entrou no caminho de Wilson. Sua esposa e parceira de sonho, Cláudia Silva, de 41 anos, morreu após um câncer nos seios, o que fez com que ele largasse a faculdade de moda faltando apenas três períodos para conclusão. Juntos, o casal confeccionava cortinas, roupas de madrinhas, vestido de noiva e outras encomendas.

Ainda em 2016, no mês de setembro, a sua ex esposa Sandra Cristina, de 39 anos, e mãe de sua filha, também morreu pela mesma doença, mas que atingiu o útero.

“Eu e a mãe da minha filha sempre nos demos bem, mesmo separados éramos amigos. E a Cláudia me incentivava demais. Eu desenhava e ela fazia as roupas. Tudo que eu desenho é criação minha, não copio nada e ela me ajudava com isso. Com o tempo ela foi me ensinando a costurar, a mexer na máquina, tirar medidas”, relembrou.

Artista quer conhecer estilista gonçalense

Apesar de ainda não ter coragem de terminar a graduação, mesmo com o pedido dos próprios professores, o porteiro ainda sonha em trabalhar na área da moda e espera um dia conseguir uma parceria com alguém desse meio.

“Se nós temos vida, nós podemos sonhar. Ninguém vive sem sonhos. Quero poder desenvolver o dom que Deus me deu e aprender mais”, afirmou.

Enquanto isso não acontece, o funcionário faz do balcão da portaria, seu pequeno ateliê de criação e nas horas vagas faz novos modelos de roupa para diferentes gostos.

Como o próprio Wilson frisou, enquanto há vida, todos os sonhos são possíveis e dignos de serem sonhados. Por isso, o artista ainda sonha em conhecer sua referência, o estilista gonçalense Beto Neves. Para mostrar sua admiração, Marins criou uma coleção de modelos de roupas inspirado na estampa feita pelo estilista e sonha em encontrá-lo para mostrar seus desenhos.

*Estagiária sob supervisão de Cyntia Fonseca

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