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Funk é patrimônio social e cultural em São Gonçalo

Gênero musical traz força para projetos na cidade

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 10 de março de 2019 - 08:53
Determinação foi comemorada por membros do projeto Rede Funk Social, do Boaçu, em SG
Determinação foi comemorada por membros do projeto Rede Funk Social, do Boaçu, em SG -

Por Vitor d'Avila e Cyntia Fonseca 

O funk, agora, é patrimônio social e cultural em São Gonçalo. A determinação, com a lei 953/2019 agora chancelada pela Prefeitura traz mais força a projetos que já funcionam na cidade a favor do estilo como manifestação cultural.

É o caso da ‘Casa do Funk’. Uma escola estadual abandonada no Boaçu foi cedida a um grupo que transformou o lugar em um espaço onde se aprende, faz amizades e exerce a cidadania. Apesar de parecer utopia, o cenário é real e acontece em São Gonçalo.

O Colégio Estadual José Augusto Domingues, que fica na Rua Desembargador José Argeu C. Barroso, foi desativado pelo Governo do Estado e, após um pedido da Ong Rede Funk Social, feito pessoalmente ao então governador Luiz Fernando Pezão, foi transformado na Casa do Funk.


 “Em outubro de 2015, durante uma visita do ex-governador Pezão à São Gonçalo, na qual ele perguntava para as comunidades o que poderia ser feito de melhorias, solicitamos pessoalmente a concessão do prédio a da escola. Rapidamente, no mês seguinte, o governo cedeu o prédio para nós, através da Secretaria de Cultura e cá estamos desde novembro de 2015”, disse Renato ‘Patrão’, de 35 anos, produtor cultural e idealizador do projeto Rede Funk Social, que existe desde 1999, mas que, até então, não possuía uma sede fixa.


Ele ainda faz questão de ressaltar que as atividades realizadas sempre são voltadas para questões sociais. Na Casa do Funk não são feitos trabalhos com apologia a sexo e drogas, por exemplo.


“O objetivo da Casa do Funk é trabalhar com o lado social, passando uma mensagem positiva, desmistificando o estigma de que o funk é obsceno. O objetivo é trabalhar com ritmo para conscientizar a população. Às vezes alguns participantes chegam com um funk mais pesado e tentamos dar uma orientação no sentido artístico e social”, contou.

A instrutora cultural Priscila Gomes, co-fundadora do movimento pelo funk, falou sobre o impacto positivo que a determinação teve no projeto.


“Com esse termo oficial da Prefeitura, ficamos seguros para fazermos nossa manifestação cultural, protegidos pela lei. Pois havia um movimento do Estado muito grande contra bailes funk, por exemplo, o que prejudicava o estilo. A gente acabava atingido por essa repressão. Sempre cobramos a vereadores para reconhecer nosso projeto que existe desde 1999 como patrimônio cultural. Somos gratos ao Diney Marins (PPS), que foi um grande apoiador para que isso fosse possível”, afirma.


 A Casa do Funk oferece diversas atividades para seus frequentadores. São realizadas ações fixas e sazonais. O espaço tem aulas de canto, DJ e passinho. Há o projeto de uma rádio local voltada para o funk. A adesão, para os organizadores, é muito satisfatória, são cerca de 60 a 100 pessoas que participam dos projetos. Uma das vidas modificadas foi a do dançarino João Victor Larcerda, de 18 anos. Ele, que é especialista no passinho, explica as coisas boas que o funk o proporcionou.


 “Quando eu comecei a fazer o passinho, há dois anos, eu estava com problemas familiares, aí um amigo que dançava aqui me chamou. Me trataram muito bem. Minha mãe deixou eu participar e comecei a fazer parte da equipe, que se tornou minha segunda família. A dança mudou minha vida. Os irmãos da dança, como nos tratamos, ajudam uns aos outros”, contou.

A Secretaria de Cultura informou que “já apoia há alguns anos a ONG Rede Funk Social em atividades de música, dança, ocupações de espaços públicos, transporte, com a viabilidade de realização de shows e atividades afins. A instituição tem um representante no Conselho Municipal de Cultura, que discute toda política cultural não só sobre o funk, mas também sobre todas as outras áreas relacionadas ao município. A secretaria fará um levantamento das demandas no setor para avaliar, caso a caso, possíveis futuras parcerias com novas instituições”.

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