No Dia Internacional da Mulher, OSG mostra exemplos de coragem e determinação
OSG mostra mulheres que têm a força

Luta, determinação, garra. Estas três palavras parecem simples, mas dão significado à batalha que as mulheres travam em seu dia a dia. Infelizmente, a discriminação e a violência contra elas ainda existem e são muito comuns, mas algumas dessas guerreiras acordam, de manhã bem cedo, dispostas a, todo o dia, vencer tudo isso.
Nesta data, que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, O SÃO GONÇALO traz exemplos de verdadeiras lutadoras que atuam, incessantemente, contra aqueles que aviltam seus direitos. É uma luta de séculos que, com o passar do tempo, ganha cada vez mais adeptas, mas ainda está distante de terminar.
Uma delas é Marisa Chaves, idealizadora do Movimento da Mulher em São Gonçalo (MMSG). A organização, que, este mês, completa seu 30º aniversário, é pioneira na cidade em atuação a favor dos direitos da mulher. A militância de Marisa, que é assistente social e trabalhou em órgãos como a Polícia Civil e a Prefeitura da cidade, foi fundamental para que importantes conquistas fossem alcançadas no município, como a Delegacia da Mulher (Deam). Ela é mineira e tem cinco irmãos e veio para Niterói aos 6 anos. A motivação do início de sua luta foi a violência doméstica que sua mãe sofria. Com isso, desde pequena, ela firma ter desenvolvido um perfil de liderança em favor da causa da mulher. Sua adolescência foi marcada por muitas dificuldades por ser de uma família humilde, mas muita vontade de ajudar. “Presenciar violência contra a mulher é algo que marca muito, ainda mais eu sendo apenas uma criança. Eu cresci com um perfil de líder, era uma forma de sobrevida, eu encontrei nos estudos, no teatro e representação de turma uma forma de me destacar”, disse.
Marisa se formou Assistente Social com mestrado em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com isso, ela começou a atuar em no Ciep do Colubandê e, em seguida, passou a integrar o núcleo de assistência social na 72ª DP. Ao presenciar diversas situações de violência contra a mulher e não ter uma forma mais efetiva de atuar mediante isso, ela decidiu dar um passo à frente. Foi assim que nasceu o MMSG.
A instituição tem como objetivo orientar mulheres e crianças vítimas de violência e abusos. Os atendimentos são inteiramente gratuitos, assim como as palestras ministradas por seus integrantes em diversos locais de São Gonçalo. “O lugar da mulher, para alguns, ainda é uma posição de ‘segunda categoria’. Isso por mais que na Constituição de 1988 tenha sido garantida a igualdade de direitos, em 2006, a Lei Maria da Penha e, em 2015 a Lei do Feminicídio”, pontuou. A sede do MMSG fica na Rua Rodrigues da Fonseca e, 201, em Zé Garoto. Mulheres e crianças podem ser atendidas de forma inteiramente gratuita.
Ao longo de sua trajetória, o movimento ganhou uma importante aliada. Oscarina Siqueira realiza atendimento às mulheres da Fazenda Colubandê e juntou forças com Marisa para fortalecer o MMSG e se tornou diretora executiva da instituição. Ela batalha em favor da causa há 24 anos.
“A causa me seduziu com toda essa luta pelas mulheres e para as mulheres. Contra a violência e todo tipo de abuso. A gente tem que, cada vez mais, lutar. O trabalho que exercemos é essencial. As caminhadas, ações que fazemos ajudam nesse trabalho de conscientização”, contou. Outras esferas também atuam firmemente na defesa dos direitos da mulher. É o caso da delegada Débora Rodrigues, 48. Com 24 anos de serviço público, 12 deles dedicado à Polícia Civil, ela faz um balanço do trabalho dedicado ao atendimento às mulheres, das conquistas e do lado não tão positivo assim. “Nosso país é machista, patriarcal, misóegno. Mas da mesma forma que me espanto com a violência, vejo que as mulheres conseguem vitória na guerra, é gratificante. Somente em 2019, registramos 663 casos de violência à mulher. Mas foram 21 prisões em dois meses. Esse é o lado bom”, pontuou. A advogada Gisele Bastos, da Ordem dos Advogados do Brasil de Niterói (OAB), também atua em projetos que visam conscientizar sobre a violência doméstica, especialmente em como a mulher pode agir juridicamente contra essa ação.
Ela informa que a OAB Niterói, pela Comissão de Assistência à Vítimas de Violência Doméstica,presidida pela advogada Eliana do Nascimento Barboza, tem uma equipe de apoio por telefone para atender a esse tipo de caso, além de diversas ações, em diversos lugares, para divulgação nas ruas para amparar mulheres vítimas de violência doméstica.
“A gente tem ido aos sindicatos, inclusive no sábado faremos ação na sede do Sindicato dos Empregados de Edifícios, no Engenho do Roçado, em São Gonçalo. Disponibilizamos também o telefone de apoio para auxiliar às vítimas de violência doméstica através da Comissão de Assistência às Vítimas de Violência Doméstica, da OAB Niterói”, explica.
As pessoas que quiserem recorrer ao apoio da OAB Niterói devem procurar a Comissão, de segunda a sexta-feira, de 9h às 17h, nos telefones 3716-8922 e 3716-8923.