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Unidos da Viradouro promete briga pelo título da especial

Escola é a segunda a desfilar na noite deste domingo (2)

relogio min de leitura | Redação 01 de março de 2019 - 18:14
No barracão da Viradouro, na Cidade do Samba, alegorias que terão movimento foram construidas e vão fazer parte da apresentação do enredo ‘Viraviradouro’
No barracão da Viradouro, na Cidade do Samba, alegorias que terão movimento foram construidas e vão fazer parte da apresentação do enredo ‘Viraviradouro’ -

Por Sérgio Soares e Rennan Rebello

Quando a sirene tocar, anunciando o desfile da Unidos do Viradouro, na noite do próximo domingo, o que estará em jogo não é apenas a simples passagem pela Marquês de Sapucaí. Após oito anos se alternando entre a Série A e a chamada ‘elite’, a vermelha e branca do Barreto quer fazer do presente algo marcante, que possa não apenas coroar o Carnaval de 2019, mas também impulsioná-la ao palco maior do samba no Desfile das Campeãs, mostrando que os bons tempos estão de volta. Afinal, como o próprio samba enredo desse ano diz, ‘o brilho no olhar voltou’.

Nunca nos últimos anos, a Viradouro investiu e contratou tanto para um projeto de desfiles na Marquês de Sapucaí. Mais de R$ 5 milhões já foram gastos para a apresentação do enredo ‘Viraviradouro’, do carnavalesco Paulo Barros. Com quatro campeonatos conquistados no Grupo Especial - três pela Unidos da Tijuca e um pela Portela - Barros voltou à escola - onde idealizou os enredos de 2007 e 2008, entusiasmado com a proposta de trabalho. Através do tema desse ano, o carnavalesco poderá usar técnicas de desfile do qual é imbatível: o ilusionismo, carros alegóricos com movimentos, fantasias ousadas e futuristas, é claro, com acabamentos originais e impecáveis.

Maquiagem - Um dos ‘trunfos’ da apresentação está nos bastidores. Quase a metade dos 2,9 mil componentes da escola, incluindo a própria comissão de frente, vão ser preparados por um pequeno ‘exército’ de maquiadoras brasileiras e estrangeiras. o trabalho sera coordenado por Christina Gall e Juranda Xavier. No Carnaval de 2018, no desfile que deu o título da Série A à vermelha e branca e garantiu a volta à elite, Christina trouxe profissionais do exterior para a maquiagem de 400 componentes. Este ano, o intercâmbio se dará através de uma empresa francesa, responsável pela vinda de nova turma de mão de obra estrangeira. Paulo Barros diz que nunca teve um contingente tão grande de desfilantes maquiados e considera que o trabalho dos profissionais vai valorizar a passagem da Viradouro. “É um recurso importante pra destacar a estética do desfile, já que vamos levar para a Sapucaí uma diversidade enorme de personagens”, explicou. O carnavalesco, aliás, é um dos ‘trunfos’ que a escola foi buscar no passado de glórias para tentar navegar em águas tranquilas no Grupo Especial daqui para frente.

Bateria - O mestre Ciça, responsável pela condução da bateria da escola e integrante da vermelha e branca na chamada ‘era de ouro’, entre o final dos anos 90 até 2007, também voltou. Através das mudanças, os novos gestores da Viradouro resolveram que era hora de pensar no novo para que a escola voltasse a crescer, mas também com soluções que faziam a diferença no passado.

Virada - E o trabalho não foi fácil. Mergulhada em dívidas que superavam a casa dos R$ 2 milhões, a escola estava seriamente ameaçada de não desfilar na Série A, no Carnaval de 2017, até que a equipe liderada por Marcelo Kalil, atual presidente de honra da escola, assumiu o trabalho, levando a escola à segunda colocação. O Carnaval de 2018 começou a ser montado com mais tranquilidade. Foi montado um grupo mais forte, fazendo com que a trajetória rumo ao campeonato em 2018 fosse mais tranquila. E o título veio, para a alegria da comunidade e dos amantes do samba em Niterói.

Valorização - Passada a euforia do campeonato, a escola começou a trabalhar forte, implantando um modelo de gestão baseado na valorização de seus componentes, com toda a facilitação para o acesso aos ensaios e na aquisição das fantasias a serem usadas. Quando a escola entrar em cena, nesse domingo, os sambistas irão mostrar o que é ser especial na ‘elite’ do samba e que se depender deles, o brilho do olhar jamais se apagará novamente!

Embora o reduto clássico da Viradouro, seja no Barreto, na Zona Norte niteroiense, na verdade, a agremiação é originária de Santa Rosa, Zona Sul da cidade. A comunidade próxima da Rua Dr. Mario Viana passou a ser conhecida’ com esse nome devido ao bonde, que naquele ponto, fazia o retorno, ou seja, praticava o ato do ‘viradouro’ na linguagem popular.

A agremiação surgiu no ano de 1946, idealizada em rodas de samba no quintal da casa do sambista Nélson dos Santos, mais conhecido como ‘Jangada’, que morava próximo da localidade, na Rua Capitão Roseira.

A Vermelho e Branco cresceu em seu município conquistando 18 títulos do carnaval de Niterói, sendo a maior vencedora, seguida pela antiga rival Acadêmicos do Cubango, que detém 11 conquistas.

A Escola não desfila competitivamente em seu território desde que passou a disputar com as outras agremiações do Rio. A primeira fase desta ‘nova era’ foram nos anos de 1964 e 65, depois deste breve período, a alvirrubra da ‘Cidade Sorriso’ voltou a desfilar em seu território até retornar à capital do estado, no ano de 1986, onde desfila até hoje.

A decisão de retornar ao Rio, foi por conta do descontentamento da diretoria da época que afirmava que a agremiação teria sido desprestigiada no Carnaval niteroiense de 85. Na ocasião, a União da Ilha da Conceição tinha sido a campeã e a Viradouro terminou na segunda colocação, empatada com a Acadêmicos do Sossego.

Na segunda fase desfilando do outro ‘lado da ponte’, a Viradouro, estreou no Grupo 4, até que em 1990, com o enredo do ‘Só vale o escrito’, do carnavalesco Max Lopes, os ‘viradourenses’ ganharam o Grupo 1 (hoje conhecido como Grupo de Acesso), garantindo assim, a estreia dos niteroienses para desfilarem entre as principais escolas no Grupo Especial.

A vermelha e branca é a única da Região Metropolitana a conquistar o título da elite do Carnaval carioca. Foi no ano de 1997, com o enredo ‘Trevas, luz, a explosão do Universo”, de Joãosinho Trinta. Vinte anos depois da conquista histórica, em 2018, os bastidores desta trajetória foram contada na série de reportagens de O SÃO GO

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