Pais de alunos denunciam unidade de educação infantil por maus-tratos
Segundo denúncias, diretora age com autoritarismo

Por Vitor d'Avila e Marcela Freitas
Pais de crianças que estudam na UMEI Margarida Maria Garcia de Araújo, que fica em Venda da Cruz, São Gonçalo, estão desesperados com as recentes atitudes tomadas pela direção da unidade. De acordo com eles, a direção age com autoritarismo e obriga os alunos a comerem alimentos que não podem, troca horários sem aviso prévio, além de assediar moralmente professores e funcionários da instituição.
Um grupo formado por seis professoras, uma orientadora educacional e uma orientadora pedagógica, protocolou reclamação na Secretaria Municipal de Educação (Semed) e ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), solicitando a retirada de Maria das Graças da Unidade. Como não foram atendidas, as profissionais pediram para serem remanejadas para outras escolas do município, em pleno início de ano letivo.
Segundo Letícia Nespoli, de 37 anos, mãe de um aluno, seu filho, que sofre de restrições alimentares, foi forçado pela diretora a comer feijão, que, por recomendação médica, não poderia ingerir.
“Meu filho tem restrição alimentar e a escola é informada da dieta que ele precisa seguir. No sábado retrasado, último dia de reposição escolar por causa da greve, ela fez meu filho sentar no refeitório e comer feijão, que ele não pode, e por causa disso, teve três dias de diarreia”, contou.
Pai de uma aluna, o vigilante Leandro Borges, de 35 anos, reclama que, em um dia que sua filha foi liberada somente às 15h, não foi servido o almoço a ela. Ele também reclama dos horários.
“Teve um dia que minha filha saiu às 15h e ela ficou com fome porque não teve almoço. A direção muda o horário das refeições, horário de saída. Atualmente o almoço é às 15h, quando deveria estar sendo servido o lanche. A diretora muda o horário do jeito que ela quer, sem contar que salas não tem ventilação nem ar-condicionado”, reclamou.
Sindicato de professores acompanha o problema
A coordenadora geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-SG), Maria do Nascimento Silva, condena as situações que se passam na UMEI Margarida Maria Garcia de Araújo. Para ela, o corpo diretivo das escolas deve ser eleito democraticamente a fim de coibir este tipo de atitude.
“O que está acontecendo na UMEI é a comprovação de que a indicação política para a direção de escolas não dá certo e precisa acabar. Tivemos a denúncia de oito profissionais desta escola e todos pediram para sair de lá. Para o sindicato, é inadmissível que isso aconteça. Entre afastar uma direção que tem problemas com a comunidade além dos funcionários, preferiram afastar oito profissionais em favor de uma pessoa que não está fazendo um trabalho que deveria ter compromisso com uma gestão democrática. A gente tem acompanhado o caso desde o ano passado, com reclamações junto ao MP-RJ e a Semed e nada foi feito. Com a omissão do secretário de educação, os profissionais pediram uma Circular Interna coletiva, para deixar a UMEI. Não se sabe se os profissionais que irão dar as aulas estão realmente capacitados, pois os professores contratados pelo município recentemente ainda não assumiram”, disse.
A Secretaria Municipal de Educação informou que “está abrindo sindicância e, posteriormente, um processo administrativo para apurar todas as denúncias a fim de tomar as medidas cabíveis”.