Pais de alunos reclamam de falta de vagas em escola de São Gonçalo
Inscrições presenciais são as últimas a abrirem

Por Samara Oliveira e Marcela Freitas
A luta pela educação continua. Antes, os alunos sofriam com a greve dos professores que durou cerca de 60 dias. Hoje, a dificuldade é para conseguir entrar nas salas de aula. Isso acontece porque os pais de alunos têm enfrentado filas para conseguir uma vaga e quando chegam ao balcão recebem a notícia de que todas já foram preenchidas.
Para a diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Maria do Nascimento, as matrículas online acabam prejudicando as pessoas que não têm acesso a esse serviço.
“Nós fomos extremamente resistentes com essa questão de matrícula online porque a gente parte do princípio de que nem todos têm acesso à internet. As pessoas confundem o fato de os pais saberem acessar Whatsapp e Facebook com saber tudo na plataforma, por exemplo, um site de inscrição ou coisas do tipo. O problema é que a matrícula de balcão só é liberada na última fase e nós somos totalmente contrários a isso”, afirmou.
Segundo a diretora, como a inscrição online é aberta antes da presencial, essas vagas acabam sendo preenchidas por pessoas de outros bairros e os moradores mais próximos da escola que não conseguem realizar o procedimento, esperam pela matrícula presencial e perdem a vaga.
Uma das escolas que os pais chegaram de madrugada para conseguir uma vaga, mas saíram de lá sem respostas foi na Escola Municipal Marcus Vinícius Melo de Moraes, em Santa Izabel.
“Muita gente que é vizinha dessa escola, perdeu vaga para quem já preencheu online, pessoas de Pacheco e outros bairros mais distantes. A nossa preocupação é que essas crianças fiquem sem ir à escola, principalmente a educação infantil. A procura para essas vagas tem sido histórica e São Gonçalo não se preparou para receber esses alunos. E quem paga o preço alto por essa incompetência são esses pais e crianças que ficam sem acesso a educação”, lamentou a diretora do Sindicato.
A Secretaria de Educação respondeu que “as matrículas foram feitas de forma online, inclusive a Secretaria de Educação e as escolas disponibilizaram computadores com acesso à internet para auxiliarem os responsáveis que não tinham acesso, para que pudessem realizar as matrículas diretamente nestes locais. Após o encerramento do período de matrículas, foram disponibilizadas as vagas remanescentes. Aí sim, neste caso, as vagas estão sendo preenchidas presencialmente. Vale destacar que todo o processo se deu de forma transparente e que inclusive onde não houver mais vagas disponíveis, a escola poderá abrir mais turmas, à medida que tiver disponibilidade de salas de aula e procura, de acordo com a portaria de matrícula”.