Paciente busca tratamento para câncer após cirurgia
Saúde do aposentado tem piorado sem acompanhamento

Por Samara Oliveira e Marcela Freitas
“Se você não cuida da doença e acaba com ela, ela cuida de você e acaba com você”: essa foi a frase que o aposentado José Carlos Oliveira Porto, de 64 anos, usou para definir a atual situação em que vive.
Em outubro de 2017, ao tratar um cálculo renal, o aposentado descobriu que um câncer já havia tomado conta do seu rim esquerdo e de uma parte do pulmão. A partir daquele momento, a família de Carlos começou uma batalha não só contra a doença, mas para conseguir acompanhamento médico.
No final do último ano, Carlos precisou tirar o rim na tentativa de vencer a doença. Após o procedimento, realizado no Hospital Regional Darcy Vargas, em Rio Bonito, o paciente foi encaminhado pelo Sistema Estadual de Regulação (Sisreg), para o Instituto Nacional do Câncer (Inca) para receber a assistência necessária. Mas segundo a filha do aposentado, Jane Ferreira Porto Cesarina, de 40, isso não aconteceu.
“Era para o meu pai estar sendo medicado desde o dia 12 dezembro, dia que recebeu alta depois de operar. O Hospital de Rio Bonito fez a parte dele e inclusive atenderam muito bem, mas agora é com o Inca que não quer aceitar meu pai como paciente. Eles alegam que não tem a medicação que ele precisa mas quando peço essa resposta de forma oficial, escrita e assinada, os médicos se recusam”, disse.
O laudo médico aponta que o paciente está em estado de metástase (formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra, mas sem continuidade entre as duas), fazendo com que a doença percorra da perna ao coração. De acordo com os familiares, o remédio receitado para impedir o alastramento dessa doença custa entre R$ 15 e 25 mil, e como ele ainda não deu início no tratamento tem se sentido cada vez pior.
Familiares estão na ‘corrida’ contra o tempo
“Eu estou me sentindo péssimo. Fico apreensivo e ao mesmo tempo sem saber o que vai acontecer comigo. Quem tem que dar as soluções se nega e eu não posso fazer nada. Isso só piora o meu quadro como paciente. Não durmo bem, não me alimento, sinto muita dor e fraqueza”, contou o aposentado.
Para tentar agilizar o processo, a família precisou entrar com pedido judicial na Defensoria Pública da União e aguarda resposta desde então.
A Secretaria Estadual de Saúde e o Inca foram procurados. A Secretaria Estadual de Saúde informou que foi realizado o encaminhamento ao Inca.
Já a assessoria do Inca informou que “o paciente José Carlos de Oliveira Porto é matriculado no Hospital Regional Darcy Vargas que é uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Ele foi encaminhado para o Inca, mas após análise médica foi constatado que a unidade de origem (Unacon - Hospital Regional Darcy Vargas) tem todo suporte necessário para continuidade do tratamento”.