Estudante gonçalense é aprovada em três universidades públicas

Miriã Monteiro, 18 anos, passou para o curso de Engenharia Química

Enviado Direto da Redação
Estudante Miriã Monteiro Carino é a primeira da família a ingressar no ensino superior

Estudante Miriã Monteiro Carino é a primeira da família a ingressar no ensino superior

Foto: Divulgação

Por Daniela Scaffo

Moradora do Jardim Catarina, a estudante Miriã Monteiro Carino, de 18 anos, é a primeira da família a ingressar no ensino superior. A menina, que sempre estudou em escolas da rede pública, foi aprovada em três universidades do Rio de Janeiro, para o curso de Engenharia Química.

A trajetória de sucesso começou quando a jovem foi aprovada no ensino médio para o Colégio Pedro II, em Niterói, em terceiro lugar, em 2015. Antes da unidade de ensino federal, Miriã estudou no Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, que fica no Laranjal, desde os 4 anos de idade.

Miriã contou que estudava pela manhã e que, quando não tinha aulas no período da tarde, que eram voltadas para o Enem, ela ia para casa fazer exercícios. Tirava apenas uma hora por dia para assistir filmes e séries, com o intuito de descansar e distrair.

“Fazer os exercícios eram a parte mais importante. Foi uma rotina pesada, mas valeu o esforço. Todo mundo ficou muito feliz ao saber que fui aprovada, foi emocionante. Eu sabia que estava no caminho certo para conseguir um bom resultado, mas eu não esperava ser aprovada para as três universidades”, contou Miriã.

Para ela, o apoio dos pais e da escola, além de seu esforço, foram fundamentais para o resultado. Ela contou que os genitores sempre a acalmavam quando ela ficava nervosa com a chegada das provas e que a escola se preocupava com a saúde dos estudantes, além dos estudos.

“Meus pais me incentivavam a estudar, mas sempre tentavam me distrair um pouquinho, porque eu ficava muito nervosa. A escola também foi fundamental, pois eles não esperavam apenas os bons resultados, também se preocupavam com a nossa saúde e cuidavam da gente”, explicou.

Apesar de ser a a mais distante de sua casa, a jovem optou pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qual atingiu a pontuação necessária por meio do Enem. A nota do exame também fez com que ela alcançasse a pontuação necessária para a Universidade Federal Fluminense (UFF). Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Miriã foi aprovada por meio da prova da própria instituição.

“A UFRJ é reconhecida pelo MEC como a melhor do Brasil. Apesar de ser a mais longe da minha casa, acho que vale o meu esforço. As três são excelentes e eu estudei o ano todo para passar para, pelo menos, uma delas!”, emendou.


Portadora de lúpus - doença inflamatória onde o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo - a estudante conta que se interessa pela área de produção de remédios. Ela explicou que, além de ajudar pessoas, também pretende diminuir o impacto que a produção dos medicamentos causa para o meio ambiente.


"Eu tenho interesse em várias áreas, mas a que mais me chama atenção é a no ramo de remédios, pois é uma área que ajuda muito as pessoas. Tenho lúpus e, apesar da doença não ter cura, os remédios ajudam no tratamento e eu me sinto bem melhor. Quero ajudar outras pessoas também", concluiu.


Orgulho da família - Filha do meio de três meninas, Miriã enfrentou dificuldades na vida, mas nunca parou de se dedicar. Segundo a mãe da menina, Vanessa Monteiro, de 40 anos, tanto ela quanto o pai da jovem, André Carino, 48, estão desempregados.


"Eu trabalhava como operadora de caixa e meu marido era auxiliar técnico de internet. Estou desempregada há quatro anos e ele há oito meses. Para a gente é uma gratificação grande e orgulho. As respostas chegam quando se é o maior incentivador dos seus filhos, porque dinheiro não temos, mas forças pra ver um filho vencer sobram", disse a mãe da menina.


Vanessa ainda contou que, em 2015, quando Miriã estava começando a fazer as provas do Pedro II, a família perdeu tudo em uma enchente que inundou a casa da família. Entretanto, segundo a mãe, a menina não desistiu e estudava no chão da casa. 


"Ela tem uma história de superação muito bonita. A única coisa que pediu para a gente foi um quarto só para ela, para poder se dedicar as provas. Fizemos um esforço e construímos, pois temos muito orgulho da dedicação de Miriã", finalizou Vanessa.

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