Tatuador e MC ganha a vida vendendo balas em ônibus
Trabalho virou a principal renda de Dejean após ficar desempregado

Por Rennan Rebello
Em época de crise, o mercado informal vem crescendo no Brasil, e os ônibus se tornaram uma espécie de “escritório” dos ambulantes. Como é o caso do tatuador e compositor de funk e hip hop, Dejean Adriano, de 41 anos, também conhecido como MC Tatuagem, que passou a vender balas em coletivos de São Gonçalo. Inicialmente como uma forma de complementar renda antes de se tornar seu principal ofício para garantir a subsistência.
“Em 2016, quando ainda trabalhava como operador de roçadeira em uma empresa que prestava serviço para Prefeitura de São Gonçalo, vi um vendedor de balas no ponto de ônibus e perguntei a ele como eram as vendas. Acabei me interessando e passei a trabalhar para ser um trabalho extra. Mas como acabei perdendo o emprego em 2017, virou minha renda fixa”, contou Dejean que veio de Pernambuco para São Gonçalo em 2003, junto com a companheira Joice e as filhas Joiceane e Yasmin. Os outros filhos Ana Luiza, Juninho e Davi nasceram quando a família já tinha vindo do Nordeste. Eles vivem no bairro Estrela do Norte.
Nos ônibus, Dejean aborda os passageiros fazendo discursos de cunho social que, de certa maneira, expressa a sua veia artística nas composições e também para vencer preconceitos.
“Por ser tatuado e não estar arrumado, vejo que algumas pessoas olham de uma maneira estranha para mim. Como gosto de ler e compor letras de cunho social, inicio minha fala comentando sobre a desigualdade social em nosso país. Não digo que sou socialista pois não tenho tanto conhecimento sobre o tema mas estou lendo um livro sobre o sistema político que vem ‘abrindo’ minha mente”, disse o pernambucano que, apesar das dificuldades, ainda sonha em brilhar na carreira musical e como tatuador.
“Tanto no meu trabalho vendendo balas quanto nas letras que escrevo em paralelo às dificuldades que enfrento, me inspiro no Raul Seixas, que é a minha maior referência com a música ‘Tente Outra Vez’. Vou insistir porque acredito no meu trabalho e sei o que componho tem qualidade. Meu outro objetivo é montar meu próprio estúdio de tatuagem e, com apoio da minha família, tudo é possível”, revelou o vendedor ambulante.
Projeto 'Baleiro Legal' em processo em São Gonçalo
Em busca de melhorias aos vendedores de balas em ônibus, Dejean criou o movimento “Projeto Baleiro Legal” a fim de revindicar junto ao poder público direitos à sua categoria.
“Nosso maior público está nos ônibus mas às vezes não conseguimos vender nossos produtos para custear a passagem de uma viagem. A intenção desta iniciativa é para que tenhamos passe-livre e ser um canal para que nós, baleiros, possamos dialogar. Já que somos divididos em rotas, por exemplo, trabalho de Alcântara ao Clube Mauá e não posso atuar no Colubandê, por exemplo”, explicou Dejean que mantém contato com o vereador de São Gonçalo, Natan (PSB), que tenta aprovar projeto de lei que beneficiaria a atuação de ambulantes dentro dos coletivos.
“Sou autor do PL que visa à regularização dos vendedores ambulantes nos ônibus, para que possam trabalhar com identificação e autorização das empresas. É uma grata surpresa quando Dejean nos procurou com mais duas pessoas com esse objetivo de se legalizar e hoje é um grande aliado”, explicou Natan.
Para quem quiser entrar em contato com Dejean para saber mais a respeito desta iniciativa que visa melhorias para sua categoria ou queira conhecer seu trabalho artístico, basta entrar em contato com ele através da página “Projeto Baleiro Legal”, no Facebook.