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Jornalista Miriam Leitão incentiva a leitura à crianças carentes de São Gonçalo

Iniciativa foi iniciada em 2015

relogio min de leitura | Redação 14 de janeiro de 2019 - 15:35
Imagem ilustrativa da imagem Jornalista Miriam Leitão incentiva a leitura à crianças carentes de São Gonçalo

Por Rennan Rebello

Quem acompanha o trabalho da jornalista Miriam Leitão por suas entrevistas com políticos e análises sobre economia, talvez não imagine que ela é autora de livros infanto-juvenis e, além disso, tem uma ligação especial com São Gonçalo por meio de sua iniciativa particular em promover acesso à leitura a crianças de comunidades pobres.

Tudo começou em 2015, com apoio de sua amiga, a assistente social e fotógrafa, Rafaela Cassiano, que mora em Niterói mas viveu em território gonçalense e conheceu de perto os problemas sociais do município da Região Metropolitana do Rio, com mais de um milhão de habitantes.

“Quando lancei o livro ‘Flávia e o Bolo de Chocolate’ em 2015, pedi a ajuda da minha amiga Rafaela para trazer crianças de área mais carente. Fomos inventando juntas a melhor forma de trazer as crianças com segurança. O projeto era passar a tarde na livraria comigo. Rafa conseguiu autorização dos pais, escolheu alguns como cuidadores, contratou uma van de confiança. Eu cobri todos os custos, e as crianças foram. O engraçado é que uma delas resumiu numa frase o meu livro. A história é sobre uma menina que não gosta de ser de cor diferente da mãe. Brincando, a mãe vai mostrando a delícia de ser ‘marrom’. É um livro sobre diversidade, e quando foi entrevistada depois da contação (de história), uma menina de São Gonçalo disse: ‘Todo mundo é da cor da pele’. Era isso que eu estava tentando dizer com tantas palavras”, revelou a apresentadora da GloboNews, que lançou mais uma obra destinada ao universo infantil “O Mistério do Pau Oco”.

A obra investe no dom da imaginação inerente da infância e narra a saga de quatro crianças que são primos e passam por aventuras onde tem como moral da história, o respeito à natureza.

No dia do lançamento na Livraria da Travessa, no Leblon, na Zona Sul do Rio, a autora convidou cerca de 12 crianças da comunidade Boaçu para estarem presentes no evento literário e, além de dar um exemplar para cada um, ainda os presenteou com uma “malinha” de contos da Disney.

“Agora, com o livro ‘Mistério do Pau Oco’, decidimos repetir a mesma farra. Rafaela, que é pessoa de extrema sensibilidade e muita experiência em assistência social, identificou o projeto de incentivo à leitura. Achei que era a união perfeita. As crianças vieram, passaram a tarde, se divertiram, ganharam meu livro e ainda o direito de comprar outro livro que quisessem. Alguém pode achar que eu fiz alguma coisa pelas crianças, mas na verdade elas é que me encheram de alegria e afeto naquele dia do lançamento. Foi um privilégio”, contou Miriam, que também relembrou o fato de algumas destas crianças jamais terem atravessado a Ponte Rio-Niterói.

“Foi um momento mágico ver as crianças chegando (na livraria), me abraçando como se me conhecessem há muito tempo. Uma delas disse: “A ponte é grande, o túnel é escuro”. Ficou claro nessa frase que meu objetivo de, pelo menos naquela tarde, vencer uma distância social estava se realizando”, revelou.

Rafaela: a ‘ponte’ do outro lado da Ponte Rio-Niterói

Neste intuito de promover o acesso à leitura para uma nova geração que, por muitas vezes não tem esta chance devido ao contexto periférico no qual está inserida e à desigualdade social no Brasil, a assistente social formada pela UFF e fotógrafa, Rafaela Cassiano, além de amiga de Miriam Leitão, foi peça fundamental para fazer a “ponte” entre a jornalista com as crianças de São Gonçalo que esperam por uma oportunidade para ler.

“A gente busca levar crianças carentes que não têm oportunidades de conhecer esse tipo de cultura. Para mim, a livraria é um ambiente ‘mágico’ e pode fazer com que pessoas se apaixonem pela leitura, visto que a educação é a base de tudo. E por mais que eu não esteja atuando no Serviço Social, isto é algo que está intrínseco em mim. Por exemplo, consigo perceber que a maioria das crianças que levamos são negras mas não é nada premeditado pois não pensamos em cor para propiciar esta experiência. Mas em eventos como este, geralmente é composto por uma classe média de maioria branca e a maioria de pessoas negras neste cenário, estão geralmente trabalhando e não passeando no shopping. E a Miriam (Leitão) que levanta a bandeira contra a desigualdade social, fica muito feliz quando vê crianças negras na livraria”, disse Rafaela, que também acrescentou o quanto a jornalista foi importante para seu desenvolvimento profissional.

“Meu primeiro trabalho foi no lançamento do livro da Miriam, em 2015. Inclusive, ela me ofertou um curso de fotografia profissional com o professor Marco Antônio Portela, que foi tão generoso comigo que me ofereceu uma bolsa para fazer um outro curso com a Greice Rosa”, revelou.

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