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Estácio de Sá homenageou maestro Rildo Hora na Sapucaí

Estácio é considerada a primeira agremiação a surgir no Brasil

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 28 de dezembro de 2018 - 10:10
No alto do último carro, Rildo Hora se emocionou várias vezes durante o desfile na Marquês de Sapucaí, em 2013
No alto do último carro, Rildo Hora se emocionou várias vezes durante o desfile na Marquês de Sapucaí, em 2013 -

Por: Ari Lopes e Sérgio Soares

Com trabalhos marcantes ao longo dos anos na história da Música Popular Brasileira, o maestro Rildo Hora teria também que receber uma grande homenagem. E assim foi feito, exatamente no palco maior da história do samba brasileiro: a Marquês de Sapucaí. No Carnaval de 2013, a vida e a obra do artista foram mostrados no desfile da Estácio de Sá, na Série A. Assim, Rildo entrava no seleto grupo de personalidades lembradas pelas grandes agremiações cariocas, como Chico Buarque, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Dorival Caymmi, Cartola, Ivete Sangalo, Chacrinha e Arlindo Cruz, entre tantos outros que ‘estrelaram’ desfiles marcantes.

A homenagem não poderia surgir de outra escola, já que a Estácio, considerada a primeira agremiação a surgir no Brasil, fundada com o nome de ‘Deixa falar’, em 1927, tem tradição e muitas histórias no chamado ‘berço’ do samba brasileiro. A ideia de falar da vida e obra do maestro, amadurecida ainda em 2011, agradou em cheio aos carnavalescos Marcos Roza e Jack Vasconcelos, responsáveis pela idealização do tema. Campeã do Grupo Especial no Carnaval de 1992, a direção do ‘Leão’, como é conhecida a escola, considerava o enredo muito adequado para conquistar a Série A e voltar à chamada ‘elite’.

E Rildo Hora, com seus hábitos simples e sempre modesto, conta que mostrou-se surpreso com o convite. “Quando tomei conhecimento, não acreditei”, relembrou. O maestro guarda com alegria os momentos emocionantes que viveu, indo várias vezes aos eventos preparativos da escola para o desfile oficial e ensaios técnicos. Mas a ‘ficha caiu’ mesmo quando o homenageado entrou na Marquês de Sapucaí no alto do último carro alegórico apresentado pela escola. No mesmo local, também desfilaram a mulher Luzinete, os filhos Patrícia, Mizael, Ziraldo, e muitos amigos do músico.

A Estácio foi a sexta a desfilar, no dia 8 de fevereiro, na primeira noite do Carnaval, uma sexta-feira. E Na apresentação do enredo ‘Rildo Hora: A ópera de um menino... O toque do realejo rege o seu destino!’, mais de 2 mil componentes passaram pela Marquês de Sapucaí, distribuídos em 22 alas. O samba, dos compositores Igor Ferreira, Claudinho MS, JL Escafura, Jr Escafura, Tinga, Adriano Ganso, Tião, Fadico e Bira da Globo, ecoado a plenos pulmões, contagiou as arquibancadas.

Fantasiadas de pianistas, vestindo preto e branco, as baianas arrancaram aplausos. A ala é destaque da escola, conhecida há anos por ter as baianas que mais giram na Sapucaí. A Estácio acabou ficando com a quarta colocação, atrás do Império Serrano e Viradouro, sendo a Império da Tijuca a grande campeã. Uma emocionante lembrança na vida do maestro. Parabéns Rildo Hora.

Samba fala da vida e obra do artista

Tem melodia no ar

Estácio de Sá

É emoção!

É Rildo Hora, o gênio da canção

Vai meu Leão do Norte... a poesia do coração

Divino dom, o som do realejo a tocar

Cifrando o grande destino de um sonhador

E vai o menino mostrar seu valor

‘Inté’ “Asa Branca” partiu pra brilhar

Navega por um mar de inspiração

Aporta nessa doce ilusão

E no terreiro, se apaixona

Pelo Rio de Janeiro

Lá vem o trem do samba

Saudade que não se desfaz

E traz do céu essa gente bamba

Poetas imortais

A musicalidade em sua vida fez brotar

Acordes, que nos fazem viajar

Num sonho especial

“Chorar pra que”? “eu deixo a vida me levar”

“Os teus meninos” hoje vão te eternizar

Teu anjo negro a nos guiar

Maestro...

Venha reger o meu tesouro

Faz reluzir na avenida

A minha orquestra medalha de ouro

Bem no compasso do meu coração

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