Estácio de Sá homenageou maestro Rildo Hora na Sapucaí
Estácio é considerada a primeira agremiação a surgir no Brasil

Por: Ari Lopes e Sérgio Soares
Com trabalhos marcantes ao longo dos anos na história da Música Popular Brasileira, o maestro Rildo Hora teria também que receber uma grande homenagem. E assim foi feito, exatamente no palco maior da história do samba brasileiro: a Marquês de Sapucaí. No Carnaval de 2013, a vida e a obra do artista foram mostrados no desfile da Estácio de Sá, na Série A. Assim, Rildo entrava no seleto grupo de personalidades lembradas pelas grandes agremiações cariocas, como Chico Buarque, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Dorival Caymmi, Cartola, Ivete Sangalo, Chacrinha e Arlindo Cruz, entre tantos outros que ‘estrelaram’ desfiles marcantes.
A homenagem não poderia surgir de outra escola, já que a Estácio, considerada a primeira agremiação a surgir no Brasil, fundada com o nome de ‘Deixa falar’, em 1927, tem tradição e muitas histórias no chamado ‘berço’ do samba brasileiro. A ideia de falar da vida e obra do maestro, amadurecida ainda em 2011, agradou em cheio aos carnavalescos Marcos Roza e Jack Vasconcelos, responsáveis pela idealização do tema. Campeã do Grupo Especial no Carnaval de 1992, a direção do ‘Leão’, como é conhecida a escola, considerava o enredo muito adequado para conquistar a Série A e voltar à chamada ‘elite’.
E Rildo Hora, com seus hábitos simples e sempre modesto, conta que mostrou-se surpreso com o convite. “Quando tomei conhecimento, não acreditei”, relembrou. O maestro guarda com alegria os momentos emocionantes que viveu, indo várias vezes aos eventos preparativos da escola para o desfile oficial e ensaios técnicos. Mas a ‘ficha caiu’ mesmo quando o homenageado entrou na Marquês de Sapucaí no alto do último carro alegórico apresentado pela escola. No mesmo local, também desfilaram a mulher Luzinete, os filhos Patrícia, Mizael, Ziraldo, e muitos amigos do músico.
A Estácio foi a sexta a desfilar, no dia 8 de fevereiro, na primeira noite do Carnaval, uma sexta-feira. E Na apresentação do enredo ‘Rildo Hora: A ópera de um menino... O toque do realejo rege o seu destino!’, mais de 2 mil componentes passaram pela Marquês de Sapucaí, distribuídos em 22 alas. O samba, dos compositores Igor Ferreira, Claudinho MS, JL Escafura, Jr Escafura, Tinga, Adriano Ganso, Tião, Fadico e Bira da Globo, ecoado a plenos pulmões, contagiou as arquibancadas.
Fantasiadas de pianistas, vestindo preto e branco, as baianas arrancaram aplausos. A ala é destaque da escola, conhecida há anos por ter as baianas que mais giram na Sapucaí. A Estácio acabou ficando com a quarta colocação, atrás do Império Serrano e Viradouro, sendo a Império da Tijuca a grande campeã. Uma emocionante lembrança na vida do maestro. Parabéns Rildo Hora.
Samba fala da vida e obra do artista
Tem melodia no ar
Estácio de Sá
É emoção!
É Rildo Hora, o gênio da canção
Vai meu Leão do Norte... a poesia do coração
Divino dom, o som do realejo a tocar
Cifrando o grande destino de um sonhador
E vai o menino mostrar seu valor
‘Inté’ “Asa Branca” partiu pra brilhar
Navega por um mar de inspiração
Aporta nessa doce ilusão
E no terreiro, se apaixona
Pelo Rio de Janeiro
Lá vem o trem do samba
Saudade que não se desfaz
E traz do céu essa gente bamba
Poetas imortais
A musicalidade em sua vida fez brotar
Acordes, que nos fazem viajar
Num sonho especial
“Chorar pra que”? “eu deixo a vida me levar”
“Os teus meninos” hoje vão te eternizar
Teu anjo negro a nos guiar
Maestro...
Venha reger o meu tesouro
Faz reluzir na avenida
A minha orquestra medalha de ouro
Bem no compasso do meu coração