Ativistas criam página na internet para fiscalizar e divulgar políticas públicas do município
Objetivo da página é informar a população sobre gestão pública cultural

Por: Rennan Rebello
Se fiscalizar é um dever do Poder Legislativo, também é um missão da população e, em São Gonçalo, as ativistas culturais Jeniffer Moulaz, de 25 anos, e Regilan Deusamar, 44, criaram uma página no Facebook, intitulada como “Artistas de São Gonçalo Informam”, com o intuito de esclarecer como políticas voltadas a esta área estão sendo geridas.
“A página foi criada no decorrer de meus estudos sobre a cultura de São Gonçalo para minha dissertação de Mestrado e passei a estudar a legislação cultural, Plano Municipal de Cultura e ao participar das reuniões mensais do Conselho Municipal de Cultura. Percebi que mesmo as reuniões sendo abertas para a sociedade, ela permanecia praticamente vazia. E por isso, resolvi criar a página para divulgar o que está acontecendo na esfera pública”, explicou a atriz Jeniffer que, além de ser a idealizadora do projeto, é mestranda em Administração pela UFF e moradora do Jardim Catarina.
Já a figurinista Regilan, militante no cenário cultural do município recentemente, passou a administrar a página criada em maio deste ano.
“A minha formação acadêmica foi no Rio mas quando passei a conhecer minha cidade e vi tantos coletivos e iniciativas legais como o curso de teatro da Carol Araujo, percebi que havia um cenário que precisava ser ouvido pelo poder público. E agora neste projeto, poderei ajudar a fiscalizar as leis em prol da classe artística”, disse Regilan que é doutora em Artes Cênicas pela UniRio, moradora de Nova Cidade e cursa Gestão Orçamentária, no IFRJ, em Neves.
Embora a página seja segmentada ao âmbito cultural, o objetivo não é atrair apenas os produtores mas o público em geral.
“Já que as redes sociais se tornaram um meio de diálogo e militância, nosso maior objetivo é que os gonçalenses estejam informados sobre a gestão pública cultural assim como a questão do Teatro Municipal (fechado há dois anos)”, revelou Jeniffer.
Investimento como pilar de desenvolvimento social
Outra meta das pesquisadoras é provar que a cultura não é um assunto superficial e que se precisa ser levado a sério por ser um setor produtivo tanto econômica quanto socialmente, principalmente em um município como São Gonçalo com mais de um milhão de habitantes, segundo o IBGE.
“Como Alfons Martinell (teórico espanhol) afirma, entre as contribuições da cultura, está o impacto direto no desenvolvimento socioeconômico com a criação de renda e bem-estar. Vale dizer que São Gonçalo tem um potencial cultural rico, principalmente se tratando do povo criativo que integra a cidade. Percebo a ascensão de grupos culturais que auxiliam na propagação do acesso à cultura, como nos casos dos coletivos Ponte Cultural, e Ocupasound”, explicou Jeniffer, que projeta produzir um documentário com um amigo sobre a importância da arte na vida das pessoas em território gonçalense.
Regilan concorda com a ideia de sua colega e exemplifica pontos que poderiam ser explorados, utilizando sua tese referente à produção e utilização de figurinos como base.
“A vestimenta, por exemplo, possui elementos que a gente pode questionar. Há a tradicional forma de produção e venda em escala industrial e também há a confecção que é feita de maneira artesanal e exige por parte da costureira estudo do tema antes de confeccionar a peça. Imagine São Gonçalo, que é forte neste ramo têxtil, passar a produzir para o teatro e outras produções culturais. Além de inserirmos diversas formas de arte no contexto, ainda estaríamos gerando renda”, argumentou Regilan.