Ciep Adalgisa Cabral de Faria completa 30 anos de fundação
Alunos prestaram homenagem à patrona de escola no Barro Vermelho, em São Gonçalo

Por: Cyntia Fonseca
Quem nunca se questionou acerca da origem dos nomes de ruas, praças, escolas e tantas outras instituições? E qual é a importância dessas homenagens? Esse questionamento foi o que levou a um aluno do sétimo ano do ensino fundamental, ano passado, a mobilizar toda uma escola para a comemoração dos 30 anos de fundação do Ciep 246 Adalgisa Cabral de Faria, agora em 2018, ano que também marca os 31 anos de falecimento da patrona.
Localizada no Barro Vermelho, em São Gonçalo, mesmo lugar onde a homenageada viveu grande parte de sua vida, a escola, hoje sob responsabilidade do Governo do Estado, é uma das referências de ensino no município e conta com cerca de 900 alunos, em três turnos, do ensino fundamental ao Novo Ensino de Jovens e Adultos (Neja).
Tudo começou quando um dos alunos, durante uma aula de matemática, questionou à professora sobre quem seria Adalgisa Cabral. A educadora interrompeu, então, a aula, e pediu para que a turma pesquisasse sobre a patrona na internet. "A partir da curiosidade desse aluno, iniciamos o projeto 'Identidade' que desenvolvemos esse ano.
Com essa iniciativa, descobrimos que outros alunos, além de professores e funcionários também não conheciam a história da Adalgisa e o quanto ela foi importante para a Educação em São Gonçalo", conta a professora Andréa, que ajudou a coordenar o projeto com os alunos.
Toda a escola ficou envolvida. Trabalhos com cartazes, galeria de fotos na linha do tempo e apresentações fizeram parte do projeto que terminou com a festa de homenagem em abril, com a presença da filha de Adalgisa Cabral, a também educadora Rita Farret.
"Foi muito importante, pois todos passaram a conhecer realmente a história dela. É um projeto que poderia se estender também a outras escolas, pois muitas vezes os próprios alunos não sabem quem dá o nome à instituição que eles estudam por tanto tempo", afirma a diretora Ana, acrescentando que a festa foi uma homenagem emocionante. "Os alunos tiveram muito carinho com a Rita. Quando ela entrou, todos aplaudiram, foi lindo".
Origem - No terreno onde hoje está localizada a escola, existia um campinho de futebol. As terras pertenciam à uma olaria da família Nanci, que foi doada para a construção do Ciep.
Homenagem - Inaugurado em 1988, um ano após o falecimento de Adalgisa, o Ciep recebeu o nome da educadora como forma de reconhecimento a todo trabalho dedicado por ela ao município na Educação, entre eles o pioneirismo no programa de merenda nas escolas.
"Na época, eram 46 escolas estaduais. Lembro que minha mãe saía às cinco da madrugada de casa, para entregar sacos de merenda e distribuía nas escolas, com um caminhão emprestado pelo prefeito Joaquim Lavoura", relembra Rita Farret.
Mãe, esposa, professora e educadora acima de tudo, Adalgisa dedicou a vida à filantropia e ao magistério. Nasceu em Alagoas, mas veio morar ainda pequena em São Gonçalo, onde cresceu em uma casa onde hoje está construído o colégio Paulino Pinheiro Batista, também no Barro Vermelho.
Iniciou aos 16 anos no magistério e ao se casar, mudou-se para uma casa no Pita, herdada pelo avô. Foi diretora por décadas do Educandário Vista Alegre, onde administrava e cuidava, juntamente com o marido, de cerca de 300 alunos, entre bebês e adolescentes. "As crianças cresciam e ficavam até chegarem ao mercado de trabalho. Ela era muito querida por todos. Toda criança que chegava passava a chamá-la de mamãe Gisa, então além da minha irmã, a Letícia, que foi adotada quando eu tinha seis anos, tive várias gerações de 'irmãos' que eram os alunos abraçados por ela e pelo meu pai", conta Rita Farret.
Viúva com apenas 37 anos, Adalgisa não deixou o trabalho com a Educação esmorecer e após muitos anos, mesmo ao perder a visão, continuou a se dedicar às crianças do Educandário. Cardíaca, Adalgisa faleceu aos 67 anos após ser diagnosticada com uma úlcera rara.