Gonçalense vira chefe de cozinha em Portugal
Ex-morador do Pita trabalha em um dos mais renomados restaurante português

Por Rennan Rebello
Às vezes uma decisão que tomamos que possa parecer simples e temporária pode se tornar uma experiência profunda a ponto de mudar trajetória de vida, e este foi o caso do hoje, chef de cozinha, Hélio Cancio, 40, que trabalha no restaurante italiano Casa Nostra, no Bairro Alto, em Lisboa, que antes de partir para Portugal, em 2000, o ex-morador do Pita, em São Gonçalo, trabalhou no Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap), no Centro de Niterói.
“Na época em que trabalhei Huap como técnico de equipamentos e rede. O meu escritório ficava em um andar acima da pediatria, mas atendia também serviço de trauma e as coisas que eu via acontecendo me deixava depressivo e era um sofrimento a cada plantão. Por isso, resolvi passar um tempo na casa da minha ‘prima-irmã’ Aline que atualmente mora no Rio, mas acabei me ‘aninhando’ por aqui”, contou Hélio que também afirma que Portugal tornou-se seu ‘primeira pátria’ devido a sua forte relação no território português, do qual, teve dois filhos: Rafael e Sofia, de 9 e 5 anos, respectivamente, frutos de um antigo relacionamento com uma médica portuguesa.
“Portugal para mim é como se fosse o meu primeiro país, não esquecendo das minhas raízes, óbvio, porque nasci, em Niterói, mas morei uns 10 anos no Pita. Sinceramente, eu desejo passar meus últimos dias de vida por aqui... pois amo este lugar e não me vejo morando novamente mas gostaria de levar meus filhos para conhecer”, revelou o ‘pitense-lusitano’.
Mas antes de se estabilizar na terra do escritor Miguel Sousa Tavares, do poeta Luís de Camões e da banda de rock Xutos & Pontapés, Hélio, como estrangeiro, passou por um período de grandes dificuldades em sua adaptação, incluindo a xenofobia.
“No início como atendia diretamente ao público (como garçom), eu vestia bem o ‘papel de imigrante’, e então sofri algumas situações chatas. Mas atualmente penso que os portugueses estão mais maleáveis em relação aos brasileiros”, disse, também, acrescentando que não aconselha aos seus compatriotas a imigrem ao solo lusitano.
“Creio que somos politicamente e democraticamente livres para escolhermos o melhor lugar para se ter uma vida digna, e esta já é a segunda vez que presencio essa ‘onda de imigração’, pois somos trabalhadores e pessoas de garra. Mas apesar de Portugal ser um país tranquilo para viver mas não tem a dimensão territorial do Brasil e com isso, o mercado começa a saturar. Mas sem dúvida é um país que tem ótima qualidade”, finalizou.