Projeto ‘Batucafunk’ conscientiza jovens sobre a reciclagem
Som é extraído através de materiais que seriam descartados

Por: Marcela Freitas
Promover cultura com conscientização ambiental. Essa tem sido a missão do professor de História, Romeu Paula da Silva, 28 anos, que há pouco mais de um ano, atua como facilitador no Centro de Acolhimento e Cidadania (CAC), em Vista Alegre.
Galões de óleo, carcaças de ar condicionados, restos de antenas parabólicas e cabos de vassouras foram transformados em instrumentos musicais que buscam conscientizar os jovens que estão em situação de abrigamento sobre a importância da reciclagem e música.
A atividade disciplinar que vem se diferenciando de outros projetos tem dado tão certo que o som produzido por ele e os meninos ganhou vida, e o grupo recebeu o nome de ‘Batucafunk’.
A escolha do nome foi feita a partir da mistura de ritmos que vai do reggae ao funk extraídos da batucada que Romeu trouxe para o abrigo ao estudar o ritmo Maracatu de Pernambuco, ritmos da Bahia e também do Maranhão.
“Realizava essas oficinas de ritmos em praças públicas. Um dia, uma pessoa ligada a Secretaria de Desenvolvimento Social viu uma apresentação e gostou. Ele me convidou para ministrar essas aulas aqui e no Cras e vem dando muito certo. A garotada gosta bastante e é participativa. Todo nosso instrumento é reciclado e foi conquistado através de doações”, explicou
Ainda segundo Romeu, além de ocupar o tempo e a mente dos rapazes, as aulas dão a eles uma experiência que nunca tiveram com a música, e aguçam o desejo de aprender enquanto esperam para serem reinseridos a uma família ou retornarem aos seus lares.
X, de 14 anos, vive há um ano no local, e, apesar de cultivar o desejo de se tornar um jogador de futebol, garante que o projeto de música é muito importante.
“Aqui aprendemos vários ritmos que não tínhamos conhecimento. Temos mais facilidade com o Funk, mas depois que se aprende, conseguimos tocar todos. Eu gosto muito dessa aula”, afirmou.
O grupo já se apresentou em vários lugares, inclusive na Câmara Municipal, onde mostrou que não se intimida com nenhum tipo de público.
Um recanto de esperança
O Centro de Acolhimento e Cidadania é um abrigo municipal com a oferta de espaço físico, alimentação e remédios (quando necessário) preparado para garantir o pleno desenvolvimento dos que lá estão, preocupando-se também com os aspectos psicológicos e sociais.
O CAC recebe meninos e meninas de 6 7 anos a 18 anos incompletos em situação de vulnerabilidade social (vítimas de abandono, maus-tratos, violência, negligência ou que precisam ser afastadas do convívio familiar por questões judiciais envolvendo os pais ou responsáveis). Ao serem abrigados, além de um lugar para morar, os menores têm direito de voltar a viver em sociedade: são matriculados em escolas da rede municipal ou estadual, fazem cursos profissionalizantes no Polo de Qualificação, participam de aulas de reforço escolar, teatro, oficinas, e, os que já têm idade, trabalham como jovem aprendiz.
O CAC abriga atualmente 20 rapazes e fica na Estrada São Pedro, em Vista Alegre.