Gonçalense com Síndrome do Pânico tem dificuldades para conseguir atendimento
A paciente teve a próxima consulta agendada para 25 de maio de 2019

Por: Marcela Freitas
Janeiro de 2018. A manicure X. de 38 anos, sai de casa por volta das 20h, no bairro do Rocha, para ir a um mercado a poucos metros de suas casa. Ela esquece o celular e resolve retornar. Quando faz a segunda saída de sua casa, passa um carro com dois homens e a sequestra, fazendo com que ela passe os piores momentos de sua vida.
Quatro horas depois, abandonada na entrada do Complexo do Salgueiro, ela liga para sua irmã que sai em seu socorro. Depois disso, a vida dela nunca mais foi a mesma. Vinte dias reclusa no quarto e com vontade de tirar a própria vida. Sua irmã sai novamente em seu socorro e resolve buscar ajuda na rede pública de Saúde de São Gonçalo.
Diagnosticada com síndrome do pânico, ela é indicada a receber tratamento psiquiátrico e psicológico. Mas os problemas que pareciam estar solucionados estavam apenas começando. Ao contrário do que esperavam, o trauma psicológico vivenciado por ela não vem recebendo a atenção devida.
Indicada a receber tratamento no Ambulatório Municipal em Saúde Mental Nise da Silveira, no Zé Garoto, a manicure tem enfrentado uma verdadeira “via crucis” para conseguir uma consulta.
Na última segunda-feira (5), mesmo chegando duas horas antes do horário marcado, ela precisou esperar mais de 4 horas pela médica. O mesmo quadro se repete há meses, desde que procurou ajuda.
“Na primeira consulta me marcaram para 11h e fui atendida às 16h30, outra vez estava agendada às 13h e fui recebida às 17h. Cheguei bem cedo, e me falaram que a médica só chegava as 10h. Mas estou agendada para as 8h. O descaso é enorme com a população. Mesmo tendo que ter um tratamento periódico, minha próxima consulta foi agendada para 25 de maio de 2019. Além disso, temos dificuldades de pegar as receitas, porque eles alegaram que o município não tem receita azul, que é utilizada para prescrever o antidepressivo. Já não sei mais o que fazer. Essa situação me deixa ainda mais preocupada”, disse.
Ainda segundo a paciente, mesmo depois de esperar por horas, as consultas não levam mais que 5 minutos.
“É tudo muito rápido e a médica não dá a devida atenção. Eu recebia o tratamento com a psicóloga, mas ela está de licença-maternidade e informaram que tenho que aguardar seis meses até o retorno dela. Ou seja, todo esse tempo estarei desassistida. Essa unidade sofre com problemas de estrutura. Nem porta no banheiro tem”, disse a manicure.
Lei de Atenção Psicossocial é sancionada
O governador Luiz Fernando Pezão, sancionou a Lei 8.154/18, publicada no Diário Oficial do Poder Executivo desta terça-feira (06/11), estabelece diretrizes para a atuação do Governo do Estado na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
A RAPS foi criada pelo Ministério da Saúde. De acordo com o projeto, o Estado do Rio deverá implementar uma rede de serviços aos usuários, que promova assistência integral para diferentes demandas, desde as mais simples às mais complexas/graves. As abordagens e as condutas devem ser baseadas em evidências científicas, dentro das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). A lei tem como objetivo a Integração social, a autonomia, o protagonismo e a participação social da pessoa com transtorno mental.
Vetos- A medida não foi sancionada integralmente. O governador vetou os artigos que determinavam a participação do Estado do Rio como gerenciador, cofinanciador e gestor da rede, através de repasses para o funcionamento de unidades de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Serviços Residenciais Terapêuticos, Unidades de Acolhimento e Unidades de Acolhimento Infantil.
O governador também vetou o artigo que determinava que o Estado oferecesse leitos psiquiátricos em hospitais gerais, assim como em unidades do CAPS. Pezão justificou que os trechos criam atribuições para a Administração Pública e tomam providências administrativas que são de competência do Poder Executivo, acarretando aumento de despesa e afrontando o Princípio da Separação de Poderes.
Resposta da Prefeitura de São Gonçalo
Segundo a Prefeitura de São Gonçalo, “a Coordenação Municipal de Saúde Mental, não estava ciente dos problemas com relação ao horário de atendimento dos médicos da unidade e que de acordo com planilha disponibilizada pela coordenação da unidade, os profissionais cumprem carga horária de 8h às 17h e foi surpreendida com a notícia. Foi solicitado a folha de ponto dos médicos e em breve serão tomadas as devidas providências para regularizar o serviço”.