Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0665 | Euro R$ 5,8376
Search

Fazenda do Colubandê continua abandonada e sem previsão para restauração

O patrimônio cultural sofre a ação de vândalos

relogio min de leitura | Redação 05 de setembro de 2018 - 08:23
 Tragédia no Museu Nacional, no Rio, chama atenção para o abandono da Fazenda Colubandê
Tragédia no Museu Nacional, no Rio, chama atenção para o abandono da Fazenda Colubandê -

Por: Marcela Freitas

A tragédia no Museu Nacional, no último domingo, na Quinta da Boa Vista, no Rio, coloca em evidência o abandono de outros patrimônios históricos, como é o caso da Fazenda Colubandê, em São Gonçalo, marco da arquitetura colonial brasileira. O “jogo de empurra”, entre Governo do Estado e Prefeitura, colabora para a destruição da história deste patrimônio tombado Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1939.

Ainda sem previsão para a restauração, o espaço que abriga um casarão e a Capela de Sant’Anna tem sido destruído pelo tempo, falta de cuidados e ação de vândalos.

Segundo o jornalista e pesquisador Jorge Nunes, a Fazenda Colubandê é o único bem patrimonial tombado em São Gonçalo por meio de decreto do presidente Getúlio Vargas, o que por si só já lhe dá maior relevância.

“Diz-se que foi construída por jesuítas ainda no século 17. Um de seus proprietários teve como escrava a avó do escritor Lima Barreto, cuja mãe ali nasceu (beneficiada pela Lei do Ventre Livre). Portanto é importantíssima para a história nacional, estadual e municipal. Apesar disso, entregue sua administração ao Governo do Estado na década de 1940, e com sucessivas ocupações de várias organizações da PM, o espaço se vê de novo abandonado, agora agravado pelos altos índices de criminalidade, que resultaram na invasão da fazenda por desocupados, usuários de drogas e outros, culminando com o roubo do retábulo da Capela de Sant’Anna”, explicou.

Para Jorge Nunes, a Fazenda Colubandê também sofre pelo abandonada por ser vista como algo menor em relação a outros museus e espaços de cultura.

“Há uma comoção pelo incêndio ocorrido no Museu da Quinta da Boa Vista. É natural que assim o seja, pois está na cidade do Rio e se equipara ao que eu costumo comparar com desastre de avião: como é no atacado e envolve as classes dominantes, há interesse geral; enquanto os acidentes rodoviários, no caso a Fazenda Colubandê, são ignorados. Penso que em primeiro lugar, deve-se voltar algum comando da PM para lá, a fim de restabelecer a ordem; e, em segundo lugar, restaurar a fazenda como era, inclusive localizando-se o retábulo roubado e punidos seus autores. Aí, sim, pode-se pensar em um Museu Municipal (de que São Gonçalo carece) ou algo assemelhado”, argumentou o jornalista.

Matérias Relacionadas