‘Atacadões’ caem no gosto dos consumidores de São Gonçalo
Cinco empresas se estabeleceram na cidade

Por Marcela Freitas
A crise econômica que afeta o país mudou o comportamento dos consumidores que, atraídos por melhores ofertas, passaram a pesquisar mais na hora de comprar. O desapego às marcas, restrição na hora de gastar e a busca pelas compras coletivas para pagar mais barato foram algumas das medidas adotadas pelos gonçalenses na hora comprar. Toda essa mudança na economia fez, no entanto, um tipo de mercado até pouco tempo restrito crescer. Os chamados “atacadões” estão caindo cada vez mais no gosto popular. Só em São Gonçalo, são cinco empresas deste tipo que atuam tanto nas vendas a atacado quando no varejo, os populares “atacarejos”.
Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), no último mês, referente a todo ano de 2017, mostra que o segmento atacadista e distribuidor cresceu 0,7% em termos reais e 3,7% em termos nominais, atingindo faturamento de cerca de R$ 259 bilhões. Esse crescimento compreende produtos de uso comum das famílias, como alimentos, bebidas, limpeza, higiene e cuidados pessoais e atingiu a soma de quase R$ 485 bilhões em 2017.
O Assaí, por exemplo, um dos maiores atacadistas da região, cresceu somente este ano 25% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2017 fechou o ano com vendas brutas de R$ 20 bilhões, expansão de 28% em relação ao ano anterior.
O executivo da rede Atacadão, empresa que completa um ano em São Gonçalo nesta sexta-feira, Roberto Müssnich, explicou que o modelo não não só foi aceito como a filosofia entendida pelos consumidores de São Gonçalo como uma opção de compra vantajosa e competitiva em relação à busca de preço.
“Oferecemos aos nossos clientes o menor preço e a melhor opção de compra. Outro grande diferencial do Atacadão é a comercialização de produtos tanto em embalagens fechadas, fracionadas ou até em unidades, permitindo que diferentes públicos sejam atendidos de forma eficaz”, detalhou Roberto Müssnic.

Economia pode chegar a 20%
A empresa de pesquisa Nilsen aponta que uma compra em uma loja de atacado pode ser de 15% a 20% mais em conta, no valor final, na comparação com um canal de varejo tradicional. E realmente se pesquisar o cliente paga mais barato.
O SÃO GONÇALO esteve em um hipermercado comum e em rede de atacado, ambos no Jardim Alcântara, e comprovou que alguns produtos da cesta básica saíam mais em conta se comprados no atacado.
Um exemplo foi um pacote de café de 500 gramas que custava R$ 11,98 no hipermercado. Já na rede de atacado, embalagem com cinco unidades, da mesma marca e quantidade do produto, cada uma saía por por R$ 10,40, ou seja uma economia de 13%.
Redução maior ainda foi percebida no quilo de uma determinada marca de arroz que, no varejo, foi encontrado por R$ 3,98 no mercado varejista e no atacado, custava R$ 2,46 cada quilo numa embalagem com 10 unidades, isto é, uma economia de 38%.
E foi em busca de tamanha economia que a dona de casa e pensionista, Juraci Carvalho, de 61 anos, trocou as compras nos hipermercados pelos atacados. Ela, que faz compras para sua casa e das duas filhas que moram no mesmo quintal, viu que era mais vantajoso comprar mais de uma unidade para obter vantagem.
“Costumo vir mais de uma vez no mês aos atacados, sempre de olho nas promoções. Pesquiso bastante, mas acho que a compra coletiva me traz uma economia no fim do mês. Como minha família é grande, opto sempre por levar sempre dessa forma. A cada R$ 0,10 centavos, em grande quantidade temos uma boa economia”, disse.