Greve de profissionais da educação de São Gonçalo tem adesão de 80% da categoria
A paralisação segue desde o dia 30 de julho

Por: Marcela Freitas
Com adesão de 80% da categoria e com assembleias cada vez mais lotadas, profissionais da educação de São Gonçalo, que deliberaram pela greve, no dia 30 de julho, decidiram, na manhã de ontem, pela continuidade da paralisação em toda rede. Após a reunião, que aconteceu no Colégio Municipal Castello Branco, no Boaçu, a categoria seguiu em caminhada pelas ruas de São Gonçalo, e o trânsito precisou ser interditado por alguns minutos. Em ato pacífico, os profissionais liberaram uma das pistas, e a Guarda Municipal orientou os motoristas.
A comissão de negociação do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) se reunirá com a promotora Marcelle Navega e representantes do governo municipal, nesta quinta-feira, às 13h30, para apresentar as reivindicações da categoria ao Ministério Público Estadual.
Na última segunda, mais de 150 profissionais se reuniram em frente à sede do MP, em Santa Catarina, pedindo uma agenda com a promotora, que foi a responsável por intermediar negociações entre a classe e a Prefeitura de São Gonçalo, no início do ano.
Durante o ato, o Sepe também protocolou denúncia contra o suposto nepotismo do prefeito José Luiz Nanci, ao empregar parentes no governo, com custos aos cofres públicos de mais de R$ 720 mil ao ano.
Além da agenda no MP, outra comissão do Sepe seguirá, também nesta quinta, para a Assembleia Legislativa (Alerj), onde entregará uma carta ao deputado Comte Bittencourt, que prometeu em governos passados cobrar o piso nacional da categoria que é de R$ 1.350 para 22 horas de trabalho. Atualmente, o professor que ingressa na rede recebe R$ 933, menos de um salário mínimo que é de R$ 954.
“A nota divulgada pelo prefeito em sua rede social de que há profissionais da rede em atividade que chegam a ganhar mais de R$ 10 mil foi um verdadeiro tiro no pé. A adesão ao movimento aumentou muito com isso, o que fortalece ainda mais a nossa luta. Sabemos que a Prefeitura tem como pagar e queremos que ele cumpra com o que foi prometido na Justiça. Repudiamos o abono salarial oferecido a uma pequena parcela, deixando de fora mais de 2 mil professores na ativa, 500 funcionários administrativos e mais de 1,5 mil aposentados”, disse a diretora do Sepe Beatriz Lugão.
Uma nova assembleia para decidir os rumos do movimento está marcada para a próxima segunda (27), às 9h, no Colégio Castello Branco. O Sepe informou ainda que vai divulgar, nesta sexta (23), o resultado da reunião no MP no site da entidade e profissionais percorrerão escolas para dar informes.
A Prefeitura de São Gonçalo informou que vai apresentar, na reunião no MP, uma nova proposta, que possa contemplar a reivindicação salarial da categoria.