Professores em greve denunciam nepotismo em São Gonçalo
Profissionais da educação fizeram denúncia no MP

Por: Marcela Freitas
Profissionais da Educação de São Gonçalo, com apoio do núcleo da cidade do Sindicato Estadual de Educação (Sepe), protocolaram, na manhã de ontem, denúncia nos Ministérios Públicos Estadual e Federal, em Santa Catarina, contra o suposto nepotismo, por parte do prefeito José Luiz Nanci, ao empregar pelo menos cinco parentes diretos, com um custo mensal de mais de R$ 60 mil aos cofres públicos.
A motivação para a denúncia veio após o prefeito divulgar um comunicado, em sua rede social, na noite de domingo, afirmando que vem cumprindo as exigências da categoria e que há profissionais da rede municipal de ensino em atividade que chegam a ganhar até R$ 10 mil.
Após a divulgação da nota, o prefeito sofreu muitas críticas, com mais de 150 comentários negativos, que “sumiram” em sua postagem. Na manhã de ontem, o que se via eram apenas elogios por parte de pessoas que tem cargos na administração municipal.
Em greve há 20 dias, os profissionais realizaram um ato em frente ao Ministério Público, onde solicitaram uma agenda com a promotora Marcelle Navega. A categoria pede que o prefeito cumpra o acordo firmado no próprio MP, para equiparação do piso nacional da categoria, que é de R$ 1.350 para 22 horas de trabalho. Atualmente, o professor que ingressa na rede recebe R$ 933.
“Quem ganha mais de R$ 10 mil neste município são os parentes do prefeito. A esposa dele ganha R$ 11 mil. Outro familiar recebe R$ 19 mil. É só acessar o Portal de Transparência que a gente vê. Está acontecendo uma farra de nepotismo. Nós somos concursados, e essas pessoas passaram em qual seleção pública?”, questionou a diretora do Sepe-RJ, Beatriz Lugão.
A diretora do Sepe-SG, Maria do Nascimento, disse que o objetivo foi solicitar a ajuda do MP nas negociações.
“O Ministério Público está envolvido nessas negociações. Esse governo não cumpre a lei e trata os profissionais de educação de forma desrespeitosa. Não aceitamos a proposta de abono, que não beneficiaria 20% da categoria. Estamos lutando por todos. O prefeito soltou uma nota inverídica e queremos que ele prove quantos profissionais recebem esse salário de R$10 mil. Nós temos como provar o quanto é gasto com a família dele”, desafiou Maria.
Nesta terça-feira, às 10h, os profissionais se reúnem na Câmara dos Vereadores para tratar do tema: base nacional curricular; e na quarta (22), há nova assembleia, às 10h, no Colégio Castello Branco para discutir os rumos do movimento.
Governo garante o piso em abono
A Prefeitura informou que para atender à categoria dos professores está implementando, ainda neste mês, o piso nacional de 2018, no valor de R$ 1350,42 para professor docente II, e R$ 1.785,94 para professor docente I, na base salarial a título de abono.
“Informamos ainda que, das sete reivindicações apresentadas pelo sindicato da categoria, seis estão sendo atendidas na integralidade e de forma financeiramente possível”, disse em nota o governo informando ainda que “atualmente, nenhum funcionário recebe, a título de remuneração, menos que um salário mínimo, levando-se em consideração o que determina a Constituição Federal, Súmulas Vinculantes do STF e Estatuto do Servidor Público Municipal”.
A Prefeitura reiterou ainda que “o plano de cargos e salários dos professores da rede municipal está entre um dos melhores do país. Existem professores na rede que recebem remunerações que atingem, cerca de R$ 10 mil mensais, por matrícula. Essas informações podem ser verificadas no Portal da Transparência da Prefeitura”, concluiu a nota.