Grupo de dançarinos de São Gonçalo é alvo de racismo nas redes sociais

Irmãos foram vítimas após publicar vídeo na internet

Escrito por Redação 23/07/2018 09:43, atualizado em 23/07/2018 09:41
‘Os22’, segundo explicação dos próprios integrantes do grupo, é porque são ‘loucos’ pela arte e pela dança
‘Os22’, segundo explicação dos próprios integrantes do grupo, é porque são ‘loucos’ pela arte e pela dança . Foto: Kiko Charret

Por Sérgio Soares e Samara Oliveira

Considerado como Patrimônio Cultural Imaterial do povo carioca, a cultura do passinho permanece cada vez mais viva em São Gonçalo. O grupo ‘Os 22 do passinho’ conhecido apenas como “Os 22” teve ainda mais sucesso após participar do clipe “Me Solta”, do Nego do Borel. O grupo é composto pelos três irmãos, Jeferson Alves Santos, conhecido como ‘Faiska’’ Wellington Alves Santos, o ‘Fumaça’, gêmeos de 17 anos; e o mais velho, Gelson Mendonça Santos, ‘Gegê’, de 19 anos.

Apesar do atual momento em que os dançarinos estão vivendo, nem tudo que tem acontecido com os jovens até aqui é motivo de comemoração. Após um vídeo, onde aparecem dançando na Rua da Feira, em Alcântara, ‘viralizar’, os irmãos foram vítimas de ataques racistas.

Tudo aconteceu na última semana, quando os jovens, empenhados em registrar o nome do grupo no cartório, acabaram sendo reconhecidos por um locutor que pediu para que dançassem a música do clipe.

Em poucos dias, o vídeo rodou as redes sociais e foi então que os comentários de cunho racista começaram a surgir. “Seus macacos, vão estudar”, “Por isso que o Brasil não evolui”, “Tinha que ser preto pra ficar fazendo essa coisa de babaca”, disseram alguns seguidores. Outros mais agressivos, usaram palavras de baixo calão e chegaram a agredir verbalmente a mãe dos jovens.

“Isso que fizeram com as minhas crianças é uma coisa absurda. Eu chorei muito ao saber que nós fomos xingados. Eles estão aí só para mostrar o que querem fazer. Eles querem dançar, mostrar o que sabem e conseguir subir mais um degrau na vida. Meus moleques correm atrás desde os noves anos. Já venderam sorvete, bolo de pote, picolé na rua para conseguirem dinheiro para gravar as músicas do grupo. São batalhadores”, disse a doméstica Carmelinda Alves Figueiredo, de 55 anos.

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