Mulheres aguardam casa-abrigo há seis anos em São Gonçalo
O imóvel foi construído, mas não foi inaugurado

Ameaça, violência patrimonial, sexual, física, moral e psicológica. Romper com a violência contra a mulher nem sempre é tarefa fácil e a “prisão” neste ciclo pode levar ao feminicídio (assassinato pela condição de ser mulher). Com status de “tragédia anunciada”, muitas destas mortes poderiam ser evitadas caso essas vítimas recebessem proteção do poder público para evitar um possível desfecho fatal.
Em São Gonçalo, desde o ano 2000 é estudado a criação de uma casa-abrigo, que tem como função amparar, proteger e fortalecer as mulheres, oferecendo assistência psicológica, social, hospitalar e jurídica a elas e seus filhos. Em 2012, o município chegou a receber do Governo do Estado as chaves do imóvel, localizado em um local que não pode ser identificado para proteção das vítimas, mas que sequer houve nenhuma utilização desde então.
A fundadora do Movimento de Mulheres de São Gonçalo (MMSG), a assistente social Marisa Chaves, contou que a casa-abrigo para as vítimas de violência doméstica é um projeto de mais de 20 anos do movimento social na cidade.
Segundo Marisa Chaves, a Delta Engenharia iniciou as obras, com recursos do Estado e, para evitar que o endereço chamasse muita atenção, seria construído na frente um Centro de Oportunidades que ofereceria cursos em geral para as mulheres e, uma passagem “secreta” para os fundos do imóvel levaria até o abrigo.