Escola sem acessibilidade em São Gonçalo
Sobrevivente de um acidente de carro encontra dificuldades para estudar

Por Marcela Freitas
O menino Kaio Pereira, de 12 anos, é um exemplo de superação. Sobrevivente de um acidente automobilístico gravíssimo, ele trava, desde 2015, uma batalha pela vida. Antes do acidente, Kaio era considerado um aluno note 10, mas acabou tendo que se afastar dos estudos para se tratar. Este ano, três anos após deixar a sala de aula, Kaio conseguiu realizar o sonho de se matricular em uma escola regular e agora sua luta é para garantir uma educação digna e de qualidade.
Kaio foi matriculado no 5º ano da Escola Municipal Nice Mendonça de Souza e Silva, recém inaugurada nas dependências do Condomínio “Minha Casa Minha Vida”, em Venda da Cruz, São Gonçalo. Ele, que ainda não recuperou os movimentos das pernas, foi colocado em uma sala do segundo andar do prédio. Com o elevador fora de uso, é a mãe dele, a confeiteira Naiane Martins, de 28 anos, é quem tem que levar o filho no colo até a sala. Os amigos de classe ajudam a carregar a cadeira de rodas.
O SÃO GONÇALO esteve na unidade para acompanhar os desafios de Kaio por educação e, para surpresa de sua mãe, a direção informou que ele seria trocado de sala no dia da visita. “Resolvemos mudá-lo de sala enquanto o elevador não é liberado para uso. Infelizmente, nossa escola não foi entregue em sua totalidade e estamos em período de adaptação até que ela possa ser inaugurada de fato”, disse um funcionário.
Naiane disse que recebeu a notícia com surpresa. “Passei quatro semanas carregando meu filho no colo nas escadas e foi só vocês (OSG) chegarem que ele mudou para uma sala no térreo. Estou impressionada”, disse.
Ainda segundo Naiane, esse não é o único problema da unidade, que também não oferece um professor de apoio. Por esta razão, ela foi orientada a permanecer em sala de aula com ele. Ainda segundo a mãe de Kaio, ele estuda pouco mais de duas horas por dia. “A escola não tem geladeira e fogão. Os bebedouros também são improvisados e velhos. Todo o lanche e água trazemos de casa”, explicou.
Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Gonçalo informou que a direção da escola havia realmente colocado a turma no segundo andar. Porém, assim que foi identificado o aluno com deficiência, foi solicitada a transferência da turma para o térreo, o que foi providenciado imediatamente para atender a criança.
A empresa responsável pelo elevador já foi acionada para que faça o conserto. Com relação aos professores de apoio, a Secretaria de Educação não recebeu nenhuma solicitação, nem da direção da escola, nem dos pais. A prefeitura concluiu informando que todo o material que está faltando, está sendo providenciado, como utensílios de cozinha, fogão, geladeira e freezer.