Gonçalense morre no primeiro dia de aula na Argentina
Família luta para liberar o corpo

Por Thuany Dossares
Foi durante a realização de seu maior sonho que o estudante de Medicina gonçalense, Marcos Paulo Antunes Dias, de 21 anos, perdeu a sua vida. Momentos depois do seu primeiro dia de aula na Universidad de Buenos Aires (UBA), na Argentina, o universitário sofreu um infarto fulminante e morreu no último dia 4. Hoje, 14 dias depois da morte do rapaz, sua família, que mora no Gradim, em São Gonçalo, vive o drama de não conseguir trazer o corpo para ser enterrado no Brasil.
A mãe de Marcos Paulo, a técnica de enfermagem Ana Maria dos Santos Antunes Dias, de 52 anos, contou que o filho fez todos os exames necessários antes de fazer o intercâmbio e nenhum problema de saúde foi detectado. Em um laudo extraoficial de necropsia do corpo do estudante, a causa da morte foi identificada como cardiopatia dilatada congênita e edema pulmonar. Na perícia, descartaram o uso de álcool ou drogas.
“O que está impedindo de trazermos o corpo do meu filho para ser enterrado aqui é simplesmente uma questão burocrática. Faltam assinaturas do Ministério Público da Argentina para o corpo ser liberado. O que quero com essa reportagem é conseguir mobilizar as autoridades. Parece que eles querem fazer mais alguns exames, mas todo o material já foi colhido. Não quero de forma alguma atrapalhar o trabalho de investigação. Pelo contrário, quero que eles apurem tudo. Mas não tem porquê o corpo dele ficar lá ainda”, explicou a técnica de enfermagem.
Ana Maria falou que após a perda inesperada de seu filho caçula, a única coisa que ela quer é poder enterrar Marcos Paulo. “Ele estava muito feliz, vivendo o seu maior sonho, era a melhor época da vida dele, sem dúvidas. Eu quero ele aqui para poder dar um sepultamento digno para o meu filho. Ele era um jovem muito honrado, uma bênção, um presente de Deus que nos deu muito orgulho. O mínimo que ele merece é isso”, disse.
Ajuda não chega
O estudante de Medicina teve seu óbito constatado por volta das 22h do dia 4 de abril deste ano. Minutos antes, ele estava conversando com familiares e amigos do Brasil pelo celular. A mãe do universitário falou que desde a morte de Marcos Paulo, seus dias têm sido angustiantes.
"Como mãe, eu preciso enterrar meu filho para poder ter o meu luto. Tenho vivido dias de muita angústia. Eu e meu marido não dormimos e nem comemos direito. Há dias que a ficha não cai, eu não consigo acreditar, parece que ele ainda está vivo. Passo o dia olhando para as fotos dele. É o que me conforta um pouco. Ele era a nossa alegria, tão carinhoso, bom filho", desabafou a mãe do universitário, que já procurou o Consulado da Argentina no Brasil e o Ministério das Relações Exteriores para ajudar na negociação, mas ainda não obteve ajuda.
Em nota, o Consulado-Geral do Brasil em Buenos Aires informou que acompanha o caso do falecimento de Marcos Paulo Antunes e está em contato com seus familiares. Representantes do consulado consultaram as autoridades argentinas envolvidas e solicitaram celeridade na liberação do corpo para sua repatriação, respeitando-se as exigências legais locais.