Faltam insumos básicos na rede de saúde de São Gonçalo
Não há sequer seringas para um simples exame de sangue nos postos

Por Marcela Freitas
Uma espera dolorosa e difícil de suportar. Essa tem sido a “novela” enfrentada pela costureira Luciana Rodrigues, de 49 anos que sofre há 10 anos com nódulos no colo uterino e busca uma cirurgia no Hospital Municipal Luiz Palmier, no Zé Garoto, São Gonçalo. O caso de Luciana foi contato pelo O SÃO GONÇALO, no dia 1º de abril, e, a solução para este “enredo” parecia ter chegado ao fim com a marcação da cirurgia pela Secretaria Municipal de Saúde, após a divulgação do caso, para a próxima segunda-feira (16).
Mas o que parecia o fim de tanto sofrimento, ganhou mais um capítulo dramático na manhã de ontem, quando para surpresa da costureira ela foi impedida de realizar um exame de sangue como pré-operatório, no Polo Sanitário Washington Luís. O motivo: a falta de materiais para a realização do procedimento aparentemente simples. A falta de exame pode comprometer a cirurgia de Luciana, que pode ser novamente adiada.
O caso de Luciana, no entanto, não é isolado. Nesta terça-feira, muitas pessoas que buscavam o Polo Washington Luís reclamavam da falta de itens básicos, como esparadrapo, seringas e medicamentos. Uma grande fila podia ser vista também de pessoas em buscas de médicos. Mesmo chegando nas primeiras horas da manhã, as consultas estavam sendo marcadas para maio.
“Não aguento mais essa espera. Quando achava que estava tudo resolvido, me deparo com mais um problema. Já perdi as contas de quantos exames tive que pagar para realizar a cirurgia. Muitos perdem a validade pela demora. Hoje (ontem) me mandaram vir aqui e encontrei várias funcionárias de braços cruzados. Elas alegaram falta de materiais e até me incentivaram a buscar o apoio de vocês (jornal) porque elas estavam aí para trabalhar e não concordaram com essa situação”, lamentou a costureira.
Apesar de não ter realizado o procedimento, Luciana ainda tem esperanças de realizar a cirurgia o mais rápido possível. “Ano passado, cheguei a me internar em outubro e fui liberada por falta de materiais cirúrgicos. Agora falta material para coleta de sangue. Apesar desse problema. não vou desistir. Não aguento mais conviver com essas dores”, disse Luciana.