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Deficientes visuais estão sem ônibus em São Gonçalo

Atendidos pelo transporte diferenciado estão sem o serviço desde janeiro

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 25 de março de 2018 - 09:16
A Cadevisg oferece diferentes atividades para os deficientes visuais todo os dias da semana
A Cadevisg oferece diferentes atividades para os deficientes visuais todo os dias da semana -

Por Daniela Scaffo

A alegria dos assistidos pelo Centro de Apoio ao Deficiente Visual de São Gonçalo (Cadevisg), que fica no Porto Velho, é ir até a unidade para realizar as atividades e terapias. Porém, há cerca de quatro meses, o transporte diferenciado oferecido pela prefeitura deixou de passar nas residências, impossibilitando a ida de, aproximadamente, 40 pessoas até o local.

O problema iniciou em dezembro e coincidiu com o período de recesso dos deficientes visuais que são atendidos pela Cadevisg. Ao fim do recesso, os assistidos tiveram a triste notícia de que não poderiam continuar as atividades porque motoristas do transporte diferenciado estavam em greve devido à falta de pagamento. O aposentado Francisco José dos Santos, de 71 anos, mora no Jardim Califórnia e participa da oficina de som, além das aulas de informática, todas as segundas e quartas-feiras. Porém, há três semanas, ele parou de ir até a Cadevisg devido a dificuldade com o transporte.

“Eu sou deficiente visual há 28 anos e não consigo me adaptar a andar sozinho na rua. Sem o transporte diferenciado, fica muito difícil conseguir vir até aqui. Eu venho na instituição há três anos, comecei fazendo braille e hoje eu amo vir aqui”, contou Francisco, que foi acompanhado da mulher, Daisy Aparecida Azeredo, 59, que o ajuda nas atividades.

O também aposentado Demerval Caldeira, 89, precisa pegar duas conduções para chegar até a instituição sem depender do transporte diferenciado. Por isso, desde que iniciou a greve, ele não tem ido à Cadevisg fazer as aulas de informática, braille, ginástica e oficina de som. “Para mim é muito bom, muito valioso estar aqui. Eu tenho atividade toda segunda, quarta e sexta-feira. Desde que o transporte parou, me atrapalhou muito, pois deixei de fazer as atividades. Eu não tenho como vir porque moro em Vista Alegre e preciso de pegar dois ônibus para chegar aqui. Essa é a única instituição em São Gonçalo voltada para nos atender”, disse Demerval.

O casal Carlos Raymundo de Castro, 60, e Bárbara Alves, 40, ambos portadores da deficiência, também precisa de dois transportes para chegar até a unidade e fazia uso da van diferenciada da prefeitura. Carlos, que é também presidente do Conselho da Pessoa com Deficiência, contou que iria realizar uma reunião no prédio anexo da prefeitura para falar sobre a falta do transporte e deficiência no atendimento à pessoa com deficiência visual no município.

“O grande problema é a falta de transporte diferenciado. Ele é tão diferenciado que nem existe. A prefeitura não ouve a gente. Sou assistido por essa instituição há 8 anos e é a única aqui voltada para o nosso atendimento”, disse Carlos. Já Severino Vicente da Silva, 70, não teve liberação do transporte público porque mora em Manilha, que é um bairro de outro município, Itaboraí. O idoso é assistido pela Cadevisg há 10 anos. “Eu não tenho direito ao transporte, mas estou sentindo muita falta das outras pessoas que vinham com o transporte diferenciado”, lamentou.

A vice-presidente da Cadevisg, Nilza Martins, e também professora de cerâmica, contou que teve uma grande evasão do número de assistidos. “Aqui é onde eles aprendem e se divertem. Muitos ficam em casa e acabam desanimando, entrando em depressão. Sem esse transporte, muitos não têm condições de vir”, explicou.

Considerado o anjo da guarda da instituição, o guarda de trânsito municipal Ronaldo Barros, que atua na área do Porto Velho, observa a dificuldade dos deficientes visuais e tenta ajudar orientando a travessia e levando-os até a unidade.

Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Gonçalo informou que, para atender melhor atender a população, um novo contrato será feito para que o serviço seja reformulado e possa voltar a atender até os próximos dois meses.

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