Jovem luta pela vida em São Gonçalo

Ex-mototaxista ficou tetraplégico ao ser baleado por PMs há cinco anos, em Maria Paula, Niterói

Escrito por Redação 19/03/2018 10:28, atualizado em 19/03/2018 08:51
No momento, Gabriel está internado num hospital de Niterói para tratar de uma pneumonia
No momento, Gabriel está internado num hospital de Niterói para tratar de uma pneumonia . Foto: Kiko Charret

Por Dayse Alvarenga e Alan Silva“Não me matem, eu não sou traficante”. Essas teriam sido as palavras do ex-mototaxista Gabriel de Souza da Cruz Machado ao ser vítima de uma abordagem de policiais militares, na noite do dia 7 de agosto de 2013, em Maria Paula, Niterói. O jovem, que tinha 18 anos à época, ficou tetraplégico por conta das lesões sofridas pelo tiro na cabeça. O maior desejo dos seus pais no momento é manter a melhor qualidade de vida para ele, com as doações de amigos e anônimos. A família vive atualmente no Rio do Ouro, São Gonçalo.

“Temos gastos mensais de cerca de R$ 3,5 mil, entre medicamentos, alimentação e outros cuidados especiais. E tudo isso até hoje só foi possível graças a doações. Após tudo isso que aconteceu com o meu filho, ele perdeu todos os movimentos das pernas e só mexe um dos braços com dificuldade. Além disso, ele não consegue entender o que a gente diz e também não fala com clareza”, contou a mãe e dona de casa, Fátima Machado, de 47 anos que se diz sem esperança dos acusados do crime serem punidos.

Dois cabos e um sargento do 12º BPM acusados do crime foram indiciados por tentativa de homicídio e afastados do trabalho na rua, além de terem as armas apreendidas na época. Além do inquérito instaurado na 79ª DP (Jurujuba), onde o caso foi registrado, foi aberto outro policial militar.

“Durante esses cinco anos, acreditamos em um advogado que prometeu que a justiça seria feita. Porém, depois de três anos, ele informou que não tinha agilizado nada do processo. Supomos que ele tenha sido ameaçado pela polícia. Não temos mais esperanças na Justiça desse país. Já passou tanto tempo e nada foi feito”, relatou Fátima.

Segundo a família, que na época do crime morava no Badu, região de Pendotiba, Gabriel tinha ido buscar passageiros no bairro vizinho de Maria Paula, quando ele avistou uma blitz da Polícia Militar. Como não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH), entrou em outra rua, foi perseguido e alvejado pelos disparos por policiais, sem chance de reação. O caso foi noticiado por OSG, em 11 de agosto de 2013.

Investigação sem conclusão

Questionada sobre o andamento das investigações, a Polícia Civil limitou-se a dizer que “a investigação segue em andamento e foi encaminhada para o Ministério Público”. Entretanto, o órgão negou a informação. Segundo o MP, no órgão, constam apenas processos com o nome de Gabriel relativos a ações de fornecimento de medicamentos por parte da Prefeitura de Niterói e do Governo do Estado.

A PM informou apenas também que “o processo é sigiloso e não tem mais informações”.

Em relação aos pedidos de ajuda no tratamento e na aquisição de medicamentos,a Prefeitura de Niterói informou, em nota, que uma decisão judicial decidiu que seja apresentado laudo e receituário médico informando quais seriam os medicamentos e insumos necessários. A Fundação Municipal de Saúde aguarda que os documentos sejam disponibilizados”. Já a Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) disse que “ainda não foi citada”.

Ainda de acordo com a família, ele parou de estudar no ensino médio para trabalhar mas seu sonho era prestar concurso para a Marinha. Atualmente, Gabriel está internado em um hospital em Niterói para tratar de uma pneumonia e sem previsão de alta.

Os interessados em ajudar a família de Gabriel de Souza, podem entrar em contato pelos seguintes telefones 97137-8962 ou 2619-7133. Também, e a conta corrente para depósito é a seguinte: 31299.9, Banco Itaú, Agência 1638.

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