Ônibus da Prefeitura estão abandonados em São Gonçalo
O custo dos coletivos é de R$ 2 milhões

Três ônibus super equipados com câmeras, monitores e outros acessórios, doados pelo Ministério da Justiça à Prefeitura de São Gonçalo, em 2015, para implementação do programa “Crack, é possível vencer”, estão abandonados dentro de uma garagem do governo municipal, no Centro da cidade. Segundo fontes do governo municipal, por problemas na documentação, os carros não puderam ser emplacados e foram poucas vezes colocados em uso.
Apesar de estarem largados dentro de uma garagem, os ônibus ainda aparentam estar em boas condições de funcionamento. Equipados com câmeras de segurança, internas e externas, salas e torres de controle, computadores e três cabines de monitoramento nas quais as informações são armazenadas, os coletivos também poderiam, além de servir o programa federal, auxiliar no patrulhamento ostensivo do município.
Em dezembro de 2015, O SÃO GONÇALO publicou uma reportagem na qual informava a utilização de um dos ônibus doados. No caso específico, o micro-ônibus fez o monitoramento no Centro da cidade e recebeu a aprovação de diversos moradores. Para tal modelo de serviço, a Guarda Municipal de São Gonçalo investiu e capacitou quase uma centena de agentes para operar uma tecnologia que nunca entrou na rotina da cidade.
Na época, o então secretário de Segurança Pública de São Gonçalo, Adilson Alves, chegou a dar entrevistas e confirmou que os ônibus seriam utilizados nas ruas
“Realizamos a capacitação desses profissionais de segurança por conta da complexidade que o aparato exige. Não é apenas dirigir esses coletivos, é saber manusear porque possuem equipamentos diferenciados e são preparados para atuar nas ruas”, explicou o secretário à época. Avaliados em aproximadamente R$850 mil cada, os ônibus abandonados, modelo Piá, da empresa Comil, representam um desperdício de mais de R$2 milhões.
A Prefeitura de São Gonçalo informou, através da Secretaria Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas, que “as bases móveis encontram-se impedidas de utilização pois os gestores dos municípios contemplados pelo programa ‘Crack é possível vencer’ foram orientados a não fazer uso operacional das unidades móveis, bem com aguardar posicionamento definitivo do Ministério da Justiça, pelo motivo dos municípios ainda não terem recebido o termo de doação das mesmas”.
Ainda de acordo com a nota do governo municipal, foi dito que “apesar de grande parte do programa ser bancado pelo Governo Federal, o município entra com uma contrapartida na aquisição de alguns equipamentos”.
Já o Ministério da Justiça, que também foi procurado pela reportagem de OSG para esclarecer o assunto, não respondeu aos questionamentos do jornal até o fechamento desta edição.
O programa - Segundo informações do próprio site do Ministério da Justiça, o programa “Crack, é possível vencer” desenvolve, em parceria com outros ministérios, uma ação integrada que envolve três frentes de atuação: prevenção, cuidado e autoridade.
Dentro desses três aspectos, o programa deveria integrar vários grupos sociais, trabalhando simultaneamente na prevenção, no combate, na reabilitação e na reintegração social. (Thiago Soares)