Em nome de um futuro digno
‘Projeto Amo O Salgueiro’ beneficia moradores de São Gonçalo com cultura e esportes

Para quem acompanha apenas pelo noticiário, o Complexo do Salgueiro, que engloba seis bairros de São Gonçalo, pode ser sinônimo de violência. No entanto, para quem entra no local, percebe que existem também amor, solidariedade e cultura. Foram com esses ideais que o falecido Jorge Luiz da Silva Cruz, o Jorge Canela, junto de sua esposa Lúcia Cruz, criou, em 1995, o “Projeto Amo O Salgueiro” (PAS.) com o objetivo de resgatar o orgulho do morador da área, mostrar o potencial daquela população e orientar crianças e adolescentes para obter um futuro melhor. Em retribuição ao seu criador, o PAS criou agora um musical em homenagem a Canela.
Segundo o vice-presidente do projeto, Wellington Marques, o Torão, de 35 anos, mesmo depois de perder seu idealizador em 2010, por conta de um câncer, o PAS não deixou de ser o que Jorge Canela sonhou. Torão conta que atualmente o projeto conta com cerca de 130 participantes, entre crianças e adolescentes, que se beneficiam com oficinas de cultura urbana, dança, esportes e também com atividades de expressão afrodescendentes.
“O PAS começou com Jorge Canela para mostrar ao salgueirense o Salgueiro que ele não conhece. Na época que ele trabalhava na Universidade Federal Fluminense (UFF), ele fez um vídeo para mostrar a outra face do bairro e acabou descobrindo alguns talentos. A partir disso, ele teve a ideia de tentar ajudar os moradores e fez isso por anos. Hoje nós oferecemos diversas oficinas de cultura e esportes para fazer com com que estes jovens cresçam na vida de alguma maneira”, disse Torão.
Após 23 anos de sua fundação, o PAS é considerado, por sua diretoria, uma boa alternativa para o jovem salgueirense. Em um local tão conhecido pela violência infelizmente, cada pessoa que entra para o projeto e ruma em um bom caminho é comemorado pelos colaboradores do sonho de Canela.
“A intenção do projeto é essa. Afinal, numa comunidade na qual a força do tráfico é muito grande, entramos com essas atividades socioculturais que possibilitam à criança e o adolescente, além de ocupação do tempo ocioso, poder sair da comunidade, se apresentar e representá-la. Mas como em todo projeto não dá pra ter 100% de êxito. Tivemos perdas para o tráfico também. Mas a ideia de alinhamento entre projeto, escola e família é um caminho que, com investimento, poderia atingir mais crianças e adolescentes”, disse.