Taxa de lixo faz IPTU aumentar 1200% e causa revolta em São Gonçalo
Lojistas temem que cobrança provoque crise no setor

Empresários e comerciantes de São Gonçalo estão revoltados com o aumento no valor cobrado pela taxa de lixo, que vem incluída nos carnês do IPTU. Eles se reuniram, ontem, na praça de alimentação do Trade Center, conhecido como “Prédio do Relógio”, em Alcântara, e definiram alguma ações para tentar anular a cobrança. Segundo os lojistas, em alguns locais, o aumento chega a 1.200%.
Inicialmente, os comerciantes vão fazer um abaixo-assinado para tentar incluir, além dos lojistas, os moradores de São Gonçalo que também foram lesados com o aumento. Ao mesmo tempo, será tentado um diálogo com o governo municipal para que haja uma saída alternativa, que seja mais vantajosa aos contribuintes.
“Vamos tentar uma saída alternativa. Se tivermos dificuldades, com certeza serão feitas ações políticas e jurídicas. Eu não acredito que o poder público tenha condições de contestar mais de mil ações, sejam administrativas ou judiciais. Neste caso, criaríamos também uma comissão para procurar o Ministério Público”, disse o ex-vereador Miguel Moraes.
Aumento indiscriminado - Segundo o presidente da Associação Comercial, Empresarial, Industrial e Rural de Alcântara (Aceira), Fabiano Rodrigues, o aumento na taxa de lixo atinge 100% das lojas comerciais de Alcântara. O dirigente teme que a nova cobrança acarrete em fechamento de lojas e mais demissões no setor.
“Todos foram afetados. Isso é muito preocupante porque Alcântara vem sofrendo um declínio nos últimos 15 anos, com fechamento de lojas e perda de clientes que pode se agravar. A gente tem 2,1 mil pontos de atividades econômicas e essa cobrança pode acabar fechando alguns deles”, explicou Fabiano. Um dos comerciantes afetados pela cobrança é Antônio José da Cruz, de 68 anos. Dono de dois andares de estacionamento, o empresário viu sua taxa de lixo subir de R$ 152 para R$ 2 mil.
“Eu pagava menos de R$ 200 por andar. Agora vou pagar R$ 2 mil em um. Não tem condições. Serão mais de R$ 4 mil, contando os dois andares, por um local que não produz lixo”, desabafou ele, que espera que a situação consiga ser revertida.