Abrigo Cristo Redentor completa 22 meses sem receber repasses do Governo
Dívidas giram em torno de R$ 1 milhão

Vinte e dois meses. Este é o tempo que o Abrigo Cristo Redentor, em Estrela do Norte, em São Gonçalo, completou sem receber repasses do Governo do Estado, necessários à manutenção do local e do cuidado diário a, pelo menos, 50 idosos que lá vivem.
Alegando crise econômica na época, a Secretaria de Estado de Fazenda interrompeu o pagamento à Fundação Leão XIII, responsável pelo repasse dos valores ao abrigo. Desta forma, os débitos devidos que seriam referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2015 se estenderam até a situação atual, completando quase dois anos de dívidas, e um valor que gira em torno de R$ 1 milhão.
Sem os recursos, a direção segue fazendo “malabarismos” para conseguir pagar contas de manutenção do espaço, além dos salários de 120 funcionários, há três meses atrasados. São 144 idosos residentes atualmente, sendo 54 de responsabilidade do governo do Estado.
“A situação continua difícil. Se não fosse a comunidade, a gente teria mais dificuldades. Em termos de alimentação, o povo de São Gonçalo tem contribuído muito e não nos tem faltado. A população, de um modo geral, colabora muito. Tanto a de São Gonçalo, quanto a de Niterói, que inclusive, reconhece o abrigo como sendo parte da responsabilidade deles. Mas a remuneração dos funcionários está atrasada. O único problema é a falta de repasse do Estado que nos faz atrasar desta forma”, explicou o presidente do abrigo, Josias Ávila.
Solidariedade – Entre as iniciativas de ajuda está a doação de alimentos entregues, na última semana, por integrantes do Centro de Oportunidade ao Talento (COT). A campanha “Neste Natal, Adote Um Bom Velhinho” promovida por meio de uma exposição no Centro Cultural George Savalla Gomes, dentro da Câmara de São Gonçalo é outra; além de visitas pontuais de grupos solidários.
No entanto, mesmo com toda a atenção da população, o desequilíbrio das finanças chegou a um ponto crítico, em maio deste ano, quando a direção revelou o risco de fechar as portas. “Nós trabalhamos aqui com vidas, somos uma instituição filantrópica e não temos de onde tirar recursos”, explicou Deco Ávila, na época.
Como se não fosse possível piorar mais o cenário do abrigo, no dia 1º de dezembro, mais um prejuízo: o caminhão utilizado pelo abrigo para buscar doações foi roubado, no Vila Lage, em São Gonçalo. Na ação, o motorista e o ajudante foram rendidos e obrigados a descer do veículo, que foi levado com toda a carga de alimentos, roupas e itens de higiene pessoal.
Até o momento, a direção do abrigo não recebeu qualquer informação das investigações que estão sendo conduzidas por agentes da 73ª DP (Neves).
“O caminhão segue desaparecido. É uma situação muito complicada, pois não temos dinheiro para pagar os funcionários, sequer para pagar seguro de um carro que jamais imaginaríamos que fosse roubado”, desabafou Josias Ávila. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Fazenda foi procurada, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.