Deficiente escreve livro contando a história de sua infância em São Gonçalo
Escritor é autista e tem dificuldades de locomoção

Atualmente, com o desenvolvimento da medicina, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é feito de forma descomplicada, mas o progresso é recente. Na década de 60, ainda não havia diagnóstico e tratamento padrão e essa ausência de recursos marcou a infância do gonçalense Mário Leiland, de 62 anos, que conta sua história no livro “O menino e as bolas de gude”.
Quando menino, Mário tinha dificuldades de interagir e se comunicar com outras crianças, mas sempre teve a imaginação fértil. Assim, encontrou em oito bolinhas de gude, grandes companheiras com as quais construiu uma bela e peculiar amizade.
Além das dificuldades na comunicação, o escritor também sofreu com dificuldades de locomoção. Com apenas seis meses de idade, ele foi acometido pela Poliomielite, que deixou como sequela, uma paralisia que atingiu seu braço esquerdo e sua perna direita.
Para passar por cima de uma trajetória tão difícil e conseguir crescer com o mínimo de consequências possíveis em seu desenvolvimento físico e psicossocial, Mário encontrou ajuda em dois médicos, um psiquiatra e um cirurgião ortopedista, que transformaram a sua vida. Aos 12 anos, devido aos tratamentos, sua vida havia se transformado. A mudança era tamanha que o escritor jogava futebol com seus amigos em Tribobó, onde foi criado.
“Eu comprei a bola e as camisas. Então, os meus amigos eram obrigados a me escalar em todos os jogos, afinal eu era o dono do time”, se diverte.
Com uma adolescência e vida adulta normais, Mário casou-se, teve filhos e atuou em diversas profissões. Mas, em 2005, sofreu um acidente doméstico e as dificuldades de locomoção voltaram a fazer parte de sua rotina.
Hoje, Mário mora sozinho e, em uma cadeira adaptada por ele próprio, realiza todas as suas atividades domésticas e ainda consegue tempo para escrever.
O livro ‘O menino e as bolas de gude’ foi inteiramente projetado por ele. E parte do dinheiro arrecadado com as vendas será doada para uma causa muito especial. Foi Mário quem fundou a Sociedade Pestalozzi em São Gonçalo e, sabendo da importância da associação para as pessoas atendidas, doará parte da verba para o local.
‘O menino e as bolas de gude’ chegará às livrarias após o Carnaval de 2018, mas já pode ser adquirido através do site leiland.org.
Deficiente visual monta o seu quarto trabalho
Outro gonçalense que não se deixou desanimar pelas dificuldades de conviver com uma deficiência é Pitter Mendes, de 40 anos. Deficiente visual total, ele é escritor, músico, professor de história e pai.
Pitter começou a escrever com apenas 8 anos. Naquela época, ele escrevia historinhas em gibis. Seu primeiro livro foi sobre a história do bairro Jardim Catarina, mas sua verdadeira paixão sempre esteve nos livros infanto-juvenis.
Já são três livros publicados pelo escritor. O primeiro se chama ‘Sargento Basílio e os índios invisíveis’. O segundo ‘O dia que matei a prefeita’ e o terceiro, que está sendo lançado por Pitter, se chama ‘Brazilian Vampires’. Este último foi um pedido do seu filho, que insistiu para que o pai escrevesse histórias de vampiros.
Inspirado na banda Vietnã, na qual é baterista, Pitter conta a trajetória de vampiros que viviam no anonimato e, de repente, se tornaram astros do rock.
O escritor tornou-se deficiente visual há 20 anos, quando sofreu um acidente de automóvel. Mas, graças ao avanço da tecnologia, consegue escrever seus livros de maneira independente. Para isso, ele utiliza no computador, um leitor de voz para deficientes visuais. O programa diz tudo o que é digitado e que aparece na tela.
Pitter também é responsável pela venda dos seus próprios livros e o dinheiro que arrecada financia o custo para publicar outras histórias.
‘Brazilian Vampires’ custa R$ 25 e pode ser adquirido através do telefone 98552-6255 ou da página do escritor no facebook.com/PitterMendes/.