Dezembro Vermelho: São Gonçalo tem mais de 3 mil pessoas em tratamento de HIV

Mês de luta contra a AIDS

Enviado Direto da Redação
>> De acordo com relatório internacional, 15 mil pessoas morreram de Aids em 2015 no Brasil

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Foto: Divulgação



Depois do ‘Outubro Rosa’ e do ‘Novembro Azul’, o Governo Federal instituiu recentemente o ‘Dezembro Vermelho’ por conta do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado na última sexta-feira.


Mas, apesar da evolução nas formas de tratamento e prevenção nos últimos anos, a síndrome da imunodeficiência adquirida, mais conhecida pela sigla Aids, continua a ser uma preocupação dos brasileiros.


Segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas (Unaids), somente no Brasil, 15 mil pessoas morreram em decorrência do vírus HIV, o causador da Aids, em 2015. No Estado do Rio de Janeiro, atualmente cerca de 68 mil pessoas estão em tratamento, o equivalente a 0,7% da população total do estado.


De acordo com a gerência de DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde, até outubro deste ano, 72.546 usuários estavam cadastrados para fazer retirada de medicamentos antirretrovirais no estado, um aumento de 15,4% em comparação com 2015, quando 62.856 pacientes receberam a medicação.


Em São Gonçalo, há 3.300 pacientes em tratamento atualmente. Somente nos primeiros dez meses de 2017, foram diagnosticados 411 novos casos de HIV. No ano passado, foram 511 casos.


A grande questão é que apesar de ter se tornado mundialmente conhecida desde que foi descoberta, há 30 anos, a Aids ainda deixa muitas dúvidas. Por exemplo, nem todo portador do vírus HIV tem, de fato, a Aids.


Médica e professora, Maria Amélia de Sousa Mascena esclarece o que é verdade ou não em relação à síndrome. Ao contrário do que muita gente ainda acredita, o vírus HIV não é transmissível por beijo, abraço ou aperto de mão.


“O vírus só é transmitido por contato sexual ou pelo sangue. Embora no sexo oral, o risco seja significativamente menor, as chances aumentam caso haja alguma ferida aberta ou ejaculação na boca”, explica a especialista.


Outra dúvida é quanto a ser portador do vírus. Nem todo portador de HIV tem, necessariamente a síndrome. Ela pode se manifestar ou não.


“É importante estar atento mesmo se o exame der negativo, pois há o período chamado janela imunológica, em que o organismo necessita para desenvolver anticorpos detectáveis nos exames. Vale lembrar que, para os testes disponíveis no sistema público de saúde, considera-se como janela imunológica o período de 30 dias após situação de risco. Caso a pessoa acredite ter se exposto durante esse período, recomenda-se repetir o teste 30 dias depois”, acrescenta.


Para mulheres que desejam engravidar, já é possível que isso aconteça sem que o vírus HIV seja transmitido, caso elas estejam em tratamento ou iniciem o quanto antes. Atualmente, os novos coquetéis de drogas fizeram da Aids uma doença crônica como a hipertensão.


“Isto significa que a chance de alguém que adere ao tratamento da maneira correta desenvolver Aids é mínima. No entanto, é preciso lembrar que interromper o tratamento vai fazer com que o vírus volte a se multiplicar, além de favorecer sua mutação em formas mais resistentes aos medicamentos disponíveis”, completa Maria Amélia.


Mas, mesmo fazendo tratamento correto, pessoas soropositivas morrem mais cedo do que pessoas não infectadas? A especialista explica que talvez.


“Portadores de HIV têm um risco maior de desenvolver problemas de saúde, seja infecções oportunistas como tuberculose, toxoplasmose, ou alguns tipos de câncer, especialmente quando sua carga viral não está zerada. Mas aquelas que iniciam o tratamento cedo e o fazem da maneira correta, diminuem significativamente esses riscos. Hoje, há muitas pessoas vivendo com HIV com a mesma expectativa de vida de pessoas não-infectadas”, concluiu a médica.


Tratamento e prevenção


Atualmente, há 151 Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) localizadas em 58 municípios do Rio de Janeiro que fazem a dispensação dos antirretrovirais a pacientes com HIV.  


Em São Gonçalo, há três unidades com Centro de Testagem Anônima. São eles a Clínica Municipal Gonçalense do Barro Vermelho, Polo Sanitário Hélio Cruz e a Clínica da Família Dr. Zerbini. 


O programa municipal de DST/Aids e Hepatites Virais de São Gonçalo conta, ainda, com atendimento ambulatorial para sífilis e hepatites B e C com orientação de psicólogos e assistentes sociais. Além disso, diversos profissionais como infectologistas, hepatologistas, nutricionistas, ginecologistas, psicólogos, assistente sociais, dentistas e pediatras realizam o tratamento dos portadores da doença após a confirmação do diagnóstico.


A coordenação também realiza a distribuição de preservativos e material educativo para a população e funciona na Clínica Municipal Gonçalense do Barro Vermelho, na Rua Heitor Levi.


Além do já conhecido coquetel de profilaxia pós-exposição (PEP), a partir deste mês será implementada gradualmente nos municípios a profilaxia pré-exposição (PrEP) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


A estratégia de prevenção consiste no uso dos medicamentos tenofovir e entricitabina, combinados num único comprimido, antes de exposição de risco. A nova medicação antirretroviral só pode ser usada por pessoa que não seja portadora do vírus HIV. É um comprimido de uso diário.

A PrEP, no entanto, não confere proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis como sífilis, hepatite ou gonorreia. Em Niterói, o serviço especializado em HIV/Aids começará a implantar a PrEP no Hospital Municipal Carlos Tortelly, no bairro Fátima.



ONG lança aplicativo para apoio às pessoas com HIV


A ONG "Amigos da Vida" lançou um aplicativo de relacionamento, o "HIVE", com foco em pessoas que vivem e convivem com o HIV/Aids. A ferramenta gratuita tem como objetivo servir como rede de apoio psicossocial também à família e amigos de quem convive com a síndrome.


A ideia surgiu do coordenador de Marketing Social da entidade, Pedro Alves, após conduzir uma entrevista com mais de 600 jovens em diversos aplicativos de relacionamento. 


O objetivo foi sensibilizar e levar informação acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST's), HIV, Aids e hepatites virais tirando dúvidas de adolescentes, jovens e adultos. 



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